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  "O Tomate da Sorte"
  "Versão Doméstica"

 "O Tomate da Sorte"

 Ex-professora transforma receita doméstica em fonte de renda para toda a família

  Muito antes de o sol nascer, o corre-corre toma conta da casa de Dora Franco Falcone, em Itapecerica da Serra (SP). Pontualmente, às cinco da manhã, ela já está de pé, coordenando a primeira fornada de tomates secos do dia. Instalada há um ano no que antes era uma sala, a cozinha da Falcone & Falcone Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios foi isolada do resto da casa por uma parede de madeira, para não perturbar a rotina doméstica nem encurtar o sono dos cinco netos que moram com a empresária.
  Ao lado das filhas, Luciana e Paula, a precoce avó de 52 anos comanda cinco funcionários fixos - aos quais, em dias de mais trabalho, se juntam até outros dez diaristas - e produz uma tonelada e meia de tomates temperados por mês. São mais de 12 horas de atividade escaldante, fora os plantões da madrugada, de duas em duas horas. As moradoras se revezam como plantonistas, porque o processo não pode ser interrompido. Montar a fábrica caseira foi a saída encontrada por Dora Falcone para sustentar a família. A separação do marido, no início de 1998, deixou a ex-professora sem nenhuma renda. Dona de casa prendada, ela resolveu ganhar a vida fazendo os tomates secos com que deliciava a família nos almoços de domingo. Construiu sua clientela, oferecendo amostras para pizzarias, bares e restaurantes paulistanos. As primeiras encomendas saíram de um forno comum.
  O dinheiro das vendas foi investido em equipamentos e a empresa, regularizada. Dora chegou a ter 18 fornos semi-industriais, mas desfez-se deles em favor de uma grande estufa, que permite desidratação mais perfeita. Comprada em agosto de 1999, custou R$ 15 mil. "Sem sair de casa, faturo até R$ 18 mil por mês", comemora a empresária, descontente apenas com as constantes elevações do preço do tomate. "O quilo mais que dobrou nos últimos 12 meses", lamenta, comparando o início de 2000 com o do ano anterior.



"Versão Doméstica"

 Ao som de música hindu, empresária carioca traduz manuais técnicos

  A grande demanda por produtos e serviços ligados à informática abriu oportunidades para tradutores, com a elaboração de versões em português de manuais técnicos e programas de computação. Que o diga a carioca Valéria Chamon, especializada em traduções do inglês para o português, confortavelmente instalada no escritório doméstico que tomou o lugar do quarto de empregada. ela nem sequer precisa sair para buscar trabalho. Conectada à Internet, recebe encomendas de empresas de software, de treinamento e de editoras, despacha orçamentos e até envia os trabalhos prontos via correio eletrônico. Nesse ambiente agradável, a tradutora faz cerca de três serviços por mês, que lhe garante um faturamento líquido mensal de R$ 2 mil.
  Em meados dos anos 80, quando Valéria concluía o curso de Letras, foi chamada para redigir manuais técnicos em português, em uma empresa de informática "ganhei um embasamento teórico valioso", conta. A especialização e a qualidade de seus serviços levaram-na a abrir, em 1991, uma empresa em sociedade com seu pai, instalada em imóvel alugado. Valéria comprou computadores e contratou tradutores autônomos, tamanha era a demanda. Não levou muito tempo para alterar o rumo. A carga de impostos e a custosa manutenção do escritório levaram-na a desistir do modelo inicial, substituído, em 1996, pelo ambiente doméstico. Entre outras vantagens, além da economia, ela alinha um fato importante. Atuar sozinha permite "maior concentração", pondera ela, que ainda pode se dar ao luxo de escolher trilhas sonoras a seu gosto. Adepta da meditação, a empresária atua ao som de mantras indianos.
  Valéria aponta o baixo investimento inicial como uma das principais vantagens desse trabalho. "Um computador e um telefone bastam para garantir os primeiros contatos", ensina ela. Indicações ou ofertas apresentadas na Internet ajudam a formar a carteira de clientes. Um profissional pode traduzir cerca de 3 mil palavras por dia, cada uma delas orçada em valores que oscilam entre 5 e 12 centavos, estima Valéria. Dependendo do volume da demanda, o tradutor consegue faturar até R$ 4 mil por mês.
  Para aumentar a renda fixa média, a empresária, que atende a quatro empresas ligadas à área de informática e duas editoras, não se restringe à tradução de manuais e de programas de computação, embora elas respondam por 80% de seus pedidos. Complementa a carteira com textos técnicos de telecomunicações, da área financeira e de equipamentos eletrônicos. Consegue, ainda, ampliar a receita com a prestação de serviços no segmento literário e também a preparação de manuais de treinamento. Vencer nesse segmento, na visão de Valéria, exige informação constante e rigor no cumprimento de prazos, além de extremo cuidado com o vernáculo. Esse é o mix básico para a formação de uma ampla e fiel clientela.

 





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