Liderança


Na empresa, só o segurança escapa
  Paul C. Dinsmore

   Quem possui o maior equilíbrio entre a responsabilidade e a autoridade na empresa: diretor de operações, presidente, chefe de pessoal, vigilante de segurança ou secretária do departamento de vendas?

  Se você escolheu o vigilante de segurança, acertou. Paradoxalmente, em matéria de equilíbrio entre responsabilidade e autoridade, o vigilante de segurança está mais bem servido do que o presidente, pois somente o vigilante armado possui autoridade plena para cumprir a função para a qual foi responsabilizado. (Ele deve barrar pessoas não autorizadas e possui "poder de fogo" para fazer valer sua autoridade.)

  E o presidente, como fica?
  As outras pessoas, inclusive o presidente da empresa, lutam para cumprir seus deveres apesar de raramente contar com plena autoridade para mobilizar os recursos para cumpri-los. Os diretores, por exemplo, compartilham autoridade com seus colegas, gerentes e subordinados e dependem de clientes, órgãos externos e terceiros sobre quem têm pouco controle. Eles normalmente exercem sua autoridade através de articulação, negociação e persuasão. Em alguns casos, podem apelar para coerção, mas há poucas situações em nível gerencial em que se usa a autoridade formal em forma de ordem. Constituem exceções as situações de emergência e orientações dadas a uma diretoria direta (secretária, por exemplo).

  É natural portanto o gerente sonhar: "Ah, se eu tivesse mais autoridade...", pois maior autoridade significaria um reforço do poder para cumprir suas responsabilidades. Esse sonho, entretanto, pouco tem a ver com a realidade da empresa moderna. Quanto mais moderna, flexível e ágil a empresa, maior o desequilíbrio entre a autoridade formal do executivo e o nível de responsabilidade que lhe é atribuído. O executivo passará a dar cada vez menos ordens e atuar cada vez mais como mentor, professor e motivador. É assim que as coisas acontecem na empresa moderna.

  Cabe ao profissional, executivo, portanto, desenvolver sua competência de produzir mais neste ambiente. E cabe à empresa, através dos seus executivos, facilitar o processo de desenvolvimento de seus profissionais, especialmente quando este novo comportamento constitui mudança substancial em relação à cultura anterior.

- COMPETÊNCIA
    Como desenvolver um novo nível de competência capaz de lidar com um ambiente de constante mudança (e que admite que resultados devem ser atingidos apesar das dificuldades, inclusive a falta de maior autoridade formal)? Que critério deverá orientar o executivo, gerente, profissional, na sua busca de um novo conjunto de habilidades e características para se adaptar à situação atual?

Nível individual:

  Neste caso, é o indivíduo que deseja atingir um novo patamar de competência. Eis algumas áreas que merecem atenção:

- Preparar-se para a adaptação ao impacto das violentas mudanças técnico-políticas.
- Concentrar-se na criatividade - ser capaz de pensar em mudança.
- Preparar-se para renunciar ao poder formal, em favor do poder de competência.
- Questionar as premissas que vêm orientando a sua atuação profissional.
- Desenvolver mais profundamente suas habilidades, particularmente na área comportamental.
- Passar a exercitar o trabalho em grupo.
- Ampliar o espectro de conhecimentos de modo a interpretar melhor a grande massa de informações existentes.

Nível organizacional:

  Aqui a necessidade é de influenciar o comportamento da organização inteira. Neste caso, o executivo, além de incorporar os conceitos anteriores, deverá preparar-se para tomar estas medidas:

- Definir com clareza, através de planejamento, a vocação da empresa.
- Criar uma organização flexível, capaz de absorver pressões externas para mudança.
- Criar um quadro de profissionais capaz de operar em situações de ambigüidade.
- Desenvolver profissionais flexíveis que se adaptem a novas situações.
- Reconhecer tipos de estímulos capazes de motivar o quadro gerencial.

  Só o vigilante escapa.

  Para todos (menos o vigilante de segurança), o desequilíbrio entre responsabilidade/autoridade é uma realidade que passa a se agravar na medida em que a empresa se moderniza e atualiza seus métodos gerenciais. Você, executivo, gerente, profissional, o que está fazendo atualmente para melhor lidar com esta situação? O que fez nos últimos seis meses para superar a falta de autoridade? O que você pretende fazer nos próximos seis meses




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