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O dilema das emoções: o poder sobre as emoçòes versus o poder
das emoções |
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Sem dúvida nenhuma, a habilidade em saber lidar
com as emoções é atualmente um ponto de crucial importância,
tanto na vida pessoal quanto na atividade profissional. Conforme
demonstrado por pesquisas realizadas em numerosas empresas e
mencionadas por Daniel Goleman em seu último livro Trabalhando
com Inteligência Emocional - Ed. Objetiva, o Q.I. e a Competência
Técnica são responsáveis apenas por 20% do sucesso profissional
dos líderes. Os demais 80% dependem da competência emocional
que consiste, basicamente, em conhecer e saber administrar as
próprias emoções e mais ainda conseguir, através do desafio
da empatia, conhecer e sentir os outros com quem se relacionam,
sabendo lidar com eles adequadamente. Cada caso é um caso. Não
somente essa habilidade deve levar em conta cada pessoa , de
acordo com o seu perfil - umas , por exemplo, adoram desafios
e reagem bem a provocações enquanto outras são tímidas e inseguras
e ficam arrasadas se as provocamos - como também cada pessoa
varia de acordo com o seu momento e situação que está atravessando.
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Um
exemplo importante são as pessoas que estão com raiva. Sem perceber,
tendem a passar adiante a raiva de que estão possuídas, pagando
o outro que nada tem a ver com isto, como, por exemplo, o pai
que chega em casa com raiva causada por alguém no trabalho ou
no trânsito. Por qualquer bobagem, sem perceber que está transferindo
a raiva, poderá explodir em cima do filho ou da esposa ou empregada.
E assim por diante. Por causa deste risco, eu soube que em determinada
capital brasileira os psicólogos estão fazendo um trabalho junto
às esposas dos motoristas de ônibus para que elas não briguem
com eles antes de saírem para o trabalho. Se muitos deles já
são perigosos no trânsito, imaginem se saírem de casa com raiva!
Quando me contaram isto, pensei: Este trabalho seria mais importante
ainda junto às esposas dos policiais que saem armados de casa.
Imaginem se saem também emocionalmente armados/descontrolados!.
Fora o trabalho e a família, o trânsito atualmente é um grande
exemplo, talvez o pior, dos riscos de as pessoas reagirem emocionalmente
de forma descontrolada. Por isso, um bom conselho é as pessoas
se prepararem para nunca reagirem às agressões acontecidas no
trânsito. Aliás, a melhor forma de deixar o agressivo sem graça,
é reagir com sensibilidade. Ele vai ficar sem reação porque
não espera por isto. Em um filme de treinamento A Guerra dos
Paradigmas, o autor dá um exemplo interessante da predisposição
de pessoas no trânsito. Um homem conduzia o seu carro em uma
estrada de duas mãos, quando, vindo na direção contrária, uma
mulher grita: "Porco!" Ele dá o troco: "Vaca!" e pensa: dei
o troco a essa mulher que me xingou. Logo adiante, ele atropelou
o porco... A mulher estava apenas avisando que havia um porco
na estrada...Isto mostra o grande risco de reagirmos aos comportamentos
das demais pessoas de acordo com os nossos preconceitos e interpretações
precipitadas e sem empatia, não sabendo ver além das aparências.
Eu mesmo, que passo esses conceitos adiante, cai em mim, certa
vez, quando estava julgando indignado uma situação que presenciava
em Búzios, no Estado do Rio. Quando saia com minha família de
uma das belas praias, um fato me indignou. Um casal, acompanhado
por uma velhinha mãe da mulher do casal, ia sair também, quando
ele percebeu que o pneu estava furado. Ele saiu do carro e ficou
em pé de braços cruzados enquanto a mulher, ajudada pela velhinha,
que aparentava ter uns oitenta anos, trocavam o pneu. Aquilo
me irritou. Que absurdo, pensei. Foi quando cai em mim. Estou
julgando pelas aparências. Quem diz que ele não é um enfartado
ou tem uma hérnia do disco ou qualquer outra coisa que o impeça
de fazer força?
Voltando ao ponto da maior importância da inteligência,
competência e controle emocional sobre o Q.I. e competência
técnica, podemos observar, baseado na realidade, que quanto
maior a necessidade de acertar e de não poder errar maior se
torna a importância da competência e controle emocional. Nestas
situações, muito pouco adianta a competência técnica sem o controle
emocional. Um bom exemplo vemos no futebol e esportes em geral.
Quando o time perdeu algumas vezes e não pode perder mais e
por cima ainda tem toda a pressão da torcida que se comporta
de forma implacável, o risco de falhar se torna muito maior.
Para conseguir vencer, a batalha emocional é muito forte e exige
muita força e controle emocional. Quantos excelentes jogadores
de futebol já perderam penaltis em partidas decisivas exatamente
devido à pressão da torcida e, pior ainda, à pressão interna,
psicológica, de não poder errar. O mesmo acontece em outros
campos da atividade humana, quando a exigência interna de ter
que corresponder bem às expectativas e não poder falhar, pode
gerar o descontrole emocional, Nestes casos, a impotência é
mais de origem emocional.
A palavra emoção vem do latim e significa ato de
mover ou reação intensa e breve do organismo. É uma energia
que sai do nosso corpo. Um animal é somente movido a emoções,
de acordo com seus instintos de ataque e defesa. O homem, como
já definia o filósofo grego Aristóteles, é um animal racional.
Isto significa que precisa ser movido pelas emoções e pela razão
em um equilíbrio adequado. O risco são os extremos. De um lado,
aqueles que, movidos por impulsos , são como se fossem puros
animais, reagindo sem nenhum controle ou visão racional. Em
outro extremo, temos os que negam/reprimem totalmente seu lado
emocional, comportando-se de forma totalmente racional/fria
em relação a si próprio ou aos outros. Veremos adiante as conseqüências
indesejáveis destes comportamentos.
Podemos dizer que há três estilos de comportamento conforme
a forma de lidar com razão e emoção.
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Primeiro
há os de estilo racional
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São
os que, no relacionamento interpessoal, agem de forma
totalmente fria, ignorando as emoções. O mundo pode estar
caindo e eles agem como se nada estivesse acontecendo.
Negam as próprias emoções e as dos demais. Imaginam a
emoção como algo indesejável ou vergonhoso. Este estilo,
infelizmente, existe mais no trabalho como conseqüência
de paradigmas tradicionais segundo os quais trabalho não
é lugar de emoção. Seria vergonhoso ou fraqueza mostrar
emoções. O que acontece é que de qualquer forma as pessoas
não deixam de mostrar suas emoções através da voz, fisionomia,
etc. Mas, como não se sabe porque, são mal interpretadas.
Exemplo: numa empresa financeira em um grande estado brasileiro,
um funcionário extrovertido fechou-se totalmente. Deixou
de comunicar-se e brincar com os colegas. Como estes não
sabiam porque, passaram a julgá-lo muito mal como alguém
que passou a ignorar os colegas. Quando, um ano após,
em um programa de team buillding , ele se abriu, os colegas
ficaram muito culpados. Um filho seu nascera totalmente
deficiente. |
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O
segundo estilo é o agressivo
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Nas. relações interpessoais emoções sim, mas
emoções fortes, agressivas. A sensibilidade é percebida
como fraqueza.. Tradicionalmente, este estilo é mais encontrado
entre os homens devido aos paradigmas tradicionais transmitidos
através da educação. Quando um garoto chorava, até as
mães falavam para ele: você é homem. Homem não chora!
Então ele incorporava o modelo de que era fraqueza manifestar
emoções sensíveis. Um homem chorar é vergonhoso, achavam.
Este estilo incorporou-se no modelo de autoridade tradicional.
Infelizmente , ainda encontramos muito dentro das empresas
chefes que se comportam de forma agressiva, descontrolada
e que são inacessíveis.. Adiante comentaremos as conseqüências
negativas disto. Mas temos que reconhecer que às vezes,
embora em menor número, há mulheres autoritárias, mais
duras que os próprios homens autoritários. Além de explicações
de ordem psicanalítica, talvez isto se explique pelo seu
excesso de ambição. Acham que para ter poder precisam
ser mais duronas que os próprios homens autoritários!
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O
terceiro estilo é o sensível
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Nos relacionamentos interpessoais emoções sim mas só sensíveis.
O sensível é aquele que prefere não expressar o que sente
para não correr o risco de magoar alguém. Prefere prejudicar-se.
Por isso tende a ser contido, tímido, reprimido. |
A partir do já exposto, precisamos aprofundar as formas de
lidar com as emoções e suas conseqüências. Há os extremos
inadequados.
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Em
um extremo, temos os contidos.
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Não põem as emoções para fora.
| Conseqüências:
psicossomatização / implosão
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Correm o risco sério de problemas de saúde. Quando
não se expressa o que se sente, o corpo fala através de
uma doença. O estresse também é maior. A emoção que não
é posta para fora implode. Ocorre-me fazer uma comparação
da emoção com as águas retidas em um represa. Se não são
canalizadas, vão acumulando até que arrebentam a represa
e tudo inundam. Assim é a emoção. Se não é posta para
fora adequadamente ou ela se manifesta através de doenças
ou termina por explodir de forma descontrolada. Quem sempre
reprime, um dia explode! Isto tende a acontecer muito,
por exemplo, com as pessoas que, na vida pessoal ou profissional,
não procuram debater oportunamente os conflitos. Eles
vão acumulando e crescendo, igual a uma infecção não detectada
e tratada a tempo, até que explodem. E aí, infelizmente,
em geral já é tarde! Sem dúvida, é melhor prevenir do
que remediar. |
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No
outro extremo temos os descontrolados/explosivos
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Pessoas emocionalmente descontroladas põem as emoções
para fora mas de forma descontrolada, sem preocupação
com os outros. São agressivos e insensíveis.
| Conseqüências:
geram atritos, raiva, descontentamento, medo. Se
são líderes, terminam por perder a liderança.
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O que os chefes agressivos, autoritários obtêm
é apenas a submissão aparente por medo. Não se consegue
o comprometimento na base da força e descontrole. Os
líderes descontrolados pagam caro porque não são caros!
Confundem o poder com o poder da liderança, isto porque
não têm poder sobre as emoções! |
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No
meio, entre os extremos, temos os equilibrados que atuam
com inteligência/competência emocional.
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Põem as emoções para fora mas com equilíbrio, habilidade,
controle, sensibilidade e respeito aos demais. Não se
excedem, mas não deixam de expressar o que sentem. Conhecem
e controlam os próprios impulsos e têm empatia
para sentir os demais e perceber como devem se manifestar
a eles.
| Conseqüências:
têm bom relacionamento interpessoal e competência
para liderar/motivar. Vivem e trabalham com qualidade
de vida.
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Eles e os que deles dependem. Como visto acima,
a competência emocional é o principal fator que garante
o sucesso de um bom líder moderno. De nada adiante um
alto QI e alta competência técnica sem uma boa competência
emocional. Afinal, o papel do líder não é fazer mas
fazer-fazer e isto exige muita habilidade interpessoal,
sabendo administrar-se em suas emoções e lidar com as
dos demais. |
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Os
extremos (implosão /explosão) são inadequados. A virtude
está no meio, no equilíbrio, no casamento perfeito entre
razão e emoção, sabendo dizer o que se pensa e sente
mas também sentindo e respeitando o outro! Deixar de expressar
as próprias emoções é uma concessão fatal, expressá-las
de forma agressiva pode ser uma confrontação fatal!
O principal desafio de um líder moderno é desenvolver
sua competência/habilidade emocional. Na vida pessoal
também, como no casamento, sem dúvida, esta é uma habilidade
indispensável tanto para os relacionamentos entre cônjuges
como de pais para filhos. Infelizmente pesquisas realizadas
em países como nos Estados Unidos, conforme mostradas
por Daniel Goleman, indicam que a inteligência emocional
entre as crianças e jovens está mais baixa. Jovens e também
crianças em idade cada vez mais nova cometem descontroles
e violências. No Brasil será diferente? Um ponto interessante
para reflexão: quando os pais nos momentos de raiva e
tensão criticam seus filhos chamando-os de mal criados
ou mal educados, não percebem que inconscientemente estão
se criticando! Quem os criou e educou? |
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