Gerenciamento do Tempo


Desespero e Desistência  X  Administração do Tempo
 Paul C. Dinsmore

 "Agora na crise estou me desdobrando, trabalhando até 12 horas por dia", disse João, Gerente Geral de uma indústria de médio porte.

 "Sorte sua! Você tem o que fazer. Estou só aguardando o bilhete azul", retrucou Pedro, Gerente regional de uma empresa de prestação de serviços.

  João e Pedro representam as posições extremas da "gerência de crise", isto é, o desespero versus a desistência.

  A atuação do "desesperado" caracteriza-se pelo aumento desordenado de esforços. Ele espera afastar as dificuldades através do erguimento de uma barreira de atividade e movimento. A idéia é de "trabalhar duro", na esperança de assim espantar as ameaças.

  A "desistência" é assumida pelo gerente que se vê como vítima da crise. As dificuldades são encaradas como inevitáveis. Não há como resistir à força da recessão.

  Em casos muito especiais, tanto João como Pedro poderão até "acertar" na crise. Se o trabalho de João precisa realmente de agitação, a nova movimentação poderá trazer benefício. Da mesma forma, Pedro pode agir corretamente quando a política de "fazer nada" for a melhor medida para conviver com os ventos econômicos do momento. Na maioria dos casos, entretanto, nem o "agitador" João, nem o "espectador" Pedro conseguirão superar a crise.

  Na época de transição que enfrentamos, novas soluções e novos rumos são solicitados. A crise pede formas criativas de abordar assuntos tradicionais, principalmente levando-se em conta as súbitas mutações que se apresentam periodicamente nas economias nacional e internacional. Cabe, portanto, ao gerente se perguntar:

 - Qual o contexto atual em que exerço minhas funções? Como este contexto difere da época em que assumi o cargo?
 - O que devo fazer para enfrentar os desafios? Quais as novas atividades? Quais as anteriores que deverão ser mantidas? Quais aquelas que deverão deixar de ser executadas?
 - Que recursos são necessários para atingir as metas? Os mesmos de antigamente? Outros? Mais? Menos? Recursos internos ou externos?
 - Quais as atividades prioritárias para atingir estes objetivos? Que percentagem do meu tempo devo dedicar a cada prioridade? Quantas horas por semana? Como vou arranjar o tempo para me dedicar a cada prioridade? Quantas horas por semana? Como vou arranjar o tempo para me dedicar às novas prioridades?

  Na realidade, todas estas perguntas podem ser vistas através da ótica de uma só questão: "Como fazer o meu tempo (oito horas produtivas) render mais?"

  Eis, a seguir, algumas sugestões para nortear este esforço de aumentar a produtividade gerencial:

  1. Apagar tudo - Desvincular-se de sua situação atual. Colocar um "chapéu de consultor" e tentar analisar com "olhos externos" e "não contaminados" as necessidades reais da sua área.
  2. Livrar-se das "restrições auto-impostas" - Procurar isolar as influências do hábito naquilo que você, normalmente, faz e pensa. Criar uma nova objetividade, mais solta e menos presa aos valores e vícios do passado.
  3. Avaliar todas as alternativas - Levantar todos os possíveis caminhos de atuação, não se limitando aos tradicionais, ou aos mais fáceis, ou ainda aos que você mais gosta.
  4. Procurar formas sinérgicas - Buscar aquelas soluções em que recursos existentes podem ser aproveitados de forma tal que o produto de um trabalho possa ser maior que a soma das contribuições individuais (2 + 2 = 5).
  4. Procurar formas sinérgicas - Buscar aquelas soluções em que recursos existentes podem ser aproveitados de forma tal que o produto de um trabalho possa ser maior que a soma das contribuições individuais (2 + 2 = 5).
  5. Questão como seu tempo está sendo usado - Procurar abrir espaço na rotina para resguardar tempo para pensar, planejar e preparar-se para enfrentar os desafios que se apresentam (que poderão ser cada vez maiores).

  A produtividade gerencial pode ser melhorada pela lembrança e aplicações destas idéias básicas, que poderão implicar na revisão e adaptação dos seus atuais critérios de administração do tempo.

  Os gerentes, de modo geral, inclusive o "desesperado" João e o "ausente" Pedro, poderão se beneficiar através da atualização dos seus critérios de programação de tempo, cada um fazendo a si mesmo as seguintes perguntas:

  · Como meu tempo está sendo aplicado atualmente?
  · Que medidas concretas podem ser tomadas para minimizar o gasto de tempo em atividades de pouca produtividade?
  · Que tarefas realmente merecem a dedicação de mais tempo e como posso garantir a utilização deste tempo?





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