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Por que é tão difícil a gerência participativa? |
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Já
uma tendência no mundo altamente industrializado, a "gerência
participativa (GP)" recebeu grande impulso no Brasil a partir
da Nova República.
Estimulado a participar ativamente na sociedade, o cidadão
brasileiro levou esta vontade participativa também para dentro
da empresa.
Pessoas dos mais diversos níveis vêm promovendo a participação
ativa dos funcionários na gestão da empresa. Nestes, incluem-se
gerentes de recursos humanos, altos dirigentes, líderes sindicais,
funcionário de médio nível e operários.
Nem todos, no entanto, vêem esta modalidade gerencial
com tanto entusiasmo e citam grandes barreiras associadas a
programas de gerência participativa. Algumas dessas dificuldades
são:
| Confusão
quanto ao significado da gerência participativa |
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Várias
abordagens podem ser rotuladas de gerência participativa.
Por exemplo, formas participativas: (1) no planejamento;
(2) na tomada de decisões; (3) na resolução de problemas;
(4) no desenvolvimento organizacional. Quando a filosofia
não está clara, a eficácia do programa fica prejudicada.
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| Já
houve fracassos ao tentar implantar a GP. Por exemplo,
nos casos de um programa da CCQ (Círculos de Controle
de Qualidade) implantado "de baixo para cima" sem o suficiente
envolvimento e sensibilidade a nível gerencial.
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| Um
programa de GP envolve mudança de hábitos e práticas das
pessoas principais da empresa, ou seja, implica influenciar
a própria cultura empresarial. A mudança cultural envolve
investimentos grandes, tanto em tempo quanto em esforço
gerencial. |
| A
resistência, às vezes velada, por parte de alguns gerentes,
poderá "torpedear" o programa. O medo de perder o poder
faz com que o gerente resista abertamente, ou silenciosamente,
ao movimento participativo. |
| Após
grande impulso inicial, alguns programas perdem o embalo
tanto no que diz respeito ao entusiasmo dos participantes
quanto na eficácia do programa em si. |
| "Melhorou
ou piorou nossa administração após a implantação da GP?"
É uma pergunta de difícil resposta, pois a mensuração
dos resultados está sujeita a diversas influências. O
grau de participação bem como os resultados da empresa
podem ser medidos, no entanto, a eficácia real da GP sempre
fica sujeita à interpretação subjetiva. |
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Com tantas dificuldades, por que então insistir
em movimentos participativos? As justificativas são várias.
A própria eficácia do sistema participativo vem sendo comprovada
nas mais diversas partes do mundo, incluindo Japão, Estados
Unidos e Brasil. Também a GP responde a uma tendência social
e gerencial - há uma pressão participativa quase que inevitável.
E, ainda, a GP substitui o "superexecutivo", que praticamente
se encontra em extinção em função da impossibilidade de acompanhar
o ritmo atual de mudança. O grau de satisfação do funcionário
também aumenta com a GP.
Os benefícios da gerência participativa são grandes
e, segundo estudos, contribuem para melhorar os resultados empresariais.
Vale a pena, portanto, apesar das dificuldades anteriormente
mencionadas, explorar as potencialidades dessa filosofia gerencial.
Recomendam-se alguns cuidados na implantação do
programa de gerência participativa. Eis algumas sugestões:
| 1.
Definir claramente a filosofia de GP que se pretende na
sua empresa. |
GP como filosofia de desenvolvimento organizacional
ou como técnica de planejamento e tomada de decisão ou, ainda,
como forma participativa para melhorar a qualidade. Qual a filosofia
pretendida na sua empresa? Quais os objetivos? O rumo da gerência
participativa deverá ficar claro.
| 2.
Criar grupo para coordenar o assunto. |
A coordenação do assunto deverá ser centralizada
em um grupo que conta com a participação da alta direção. A
mobilização e motivação de pessoas como "agentes de mudança"
no processo é fundamental.
| 3.
Usar métodos participativos no desenvolvimento do programa.
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O movimento GP deverá desenvolver-se de forma evolutiva
na empresa, sendo orientado e ajustado de acordo com o "feedback"
recebido do corpo funcional da empresa.
| 4.
Fazer a implantação "de cima para baixo".
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A GP no mundo ocidental (ao contrário do
caso japonês) deverã ser um esforço "de
cima pra baixo", começando-se pela alta direção
e sucessivamente sensibilizando os outros níveis gerenciais
até atingir todos os níveis da empresa.
| 5.
Investir em treinamento gerencial e inter-pessoal.
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Por tratar-se de mudança cultural na empresa, haverá
necessidade de aplicar técnicas de treinamento para influenciar
os hábitos e o comportamento dos corpos gerencial e funcional.
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Estes cuidados facilitarão a implantação do programa de
gerência participativa. No entanto, algumas dificuldades
totalmente se apresentarão e o planejamento de implementação
do programa deverá levá-las em conta. |
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Vale lembrar que, na busca da gerência participativa,
nem sempre se atingirá os níveis de participação idealizados.
No entanto, a plena gerência participativa pode ser vista
como um ideal. Por exemplo, o da felicidade na vida. Apesar
da dificuldade de atingi-la na sua plenitude, devemos
insistir na sua busca, pois os resultados colhidos da
gerência participativa beneficiarão tanto a empresa quanto
os funcionários. |
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