Gerência Participativa


Por que é tão difícil a gerência participativa?
Paul C. Dinsmore

  Já uma tendência no mundo altamente industrializado, a "gerência participativa (GP)" recebeu grande impulso no Brasil a partir da Nova República.

  Estimulado a participar ativamente na sociedade, o cidadão brasileiro levou esta vontade participativa também para dentro da empresa.

  Pessoas dos mais diversos níveis vêm promovendo a participação ativa dos funcionários na gestão da empresa. Nestes, incluem-se gerentes de recursos humanos, altos dirigentes, líderes sindicais, funcionário de médio nível e operários.

  Nem todos, no entanto, vêem esta modalidade gerencial com tanto entusiasmo e citam grandes barreiras associadas a programas de gerência participativa. Algumas dessas dificuldades são:

Confusão quanto ao significado da gerência participativa
  Várias abordagens podem ser rotuladas de gerência participativa. Por exemplo, formas participativas: (1) no planejamento; (2) na tomada de decisões; (3) na resolução de problemas; (4) no desenvolvimento organizacional. Quando a filosofia não está clara, a eficácia do programa fica prejudicada.
Implantação inadequada
  Já houve fracassos ao tentar implantar a GP. Por exemplo, nos casos de um programa da CCQ (Círculos de Controle de Qualidade) implantado "de baixo para cima" sem o suficiente envolvimento e sensibilidade a nível gerencial.
Subestimação do desafio
  Um programa de GP envolve mudança de hábitos e práticas das pessoas principais da empresa, ou seja, implica influenciar a própria cultura empresarial. A mudança cultural envolve investimentos grandes, tanto em tempo quanto em esforço gerencial.
Medo de perder o poder
  A resistência, às vezes velada, por parte de alguns gerentes, poderá "torpedear" o programa. O medo de perder o poder faz com que o gerente resista abertamente, ou silenciosamente, ao movimento participativo.
Falta de continuidade
  Após grande impulso inicial, alguns programas perdem o embalo tanto no que diz respeito ao entusiasmo dos participantes quanto na eficácia do programa em si.
A difícil mensuração
  "Melhorou ou piorou nossa administração após a implantação da GP?" É uma pergunta de difícil resposta, pois a mensuração dos resultados está sujeita a diversas influências. O grau de participação bem como os resultados da empresa podem ser medidos, no entanto, a eficácia real da GP sempre fica sujeita à interpretação subjetiva.

  Com tantas dificuldades, por que então insistir em movimentos participativos? As justificativas são várias. A própria eficácia do sistema participativo vem sendo comprovada nas mais diversas partes do mundo, incluindo Japão, Estados Unidos e Brasil. Também a GP responde a uma tendência social e gerencial - há uma pressão participativa quase que inevitável. E, ainda, a GP substitui o "superexecutivo", que praticamente se encontra em extinção em função da impossibilidade de acompanhar o ritmo atual de mudança. O grau de satisfação do funcionário também aumenta com a GP.

  Os benefícios da gerência participativa são grandes e, segundo estudos, contribuem para melhorar os resultados empresariais. Vale a pena, portanto, apesar das dificuldades anteriormente mencionadas, explorar as potencialidades dessa filosofia gerencial.

  Recomendam-se alguns cuidados na implantação do programa de gerência participativa. Eis algumas sugestões:

  1. Definir claramente a filosofia de GP que se pretende na sua empresa.

  GP como filosofia de desenvolvimento organizacional ou como técnica de planejamento e tomada de decisão ou, ainda, como forma participativa para melhorar a qualidade. Qual a filosofia pretendida na sua empresa? Quais os objetivos? O rumo da gerência participativa deverá ficar claro.

  2. Criar grupo para coordenar o assunto.

  A coordenação do assunto deverá ser centralizada em um grupo que conta com a participação da alta direção. A mobilização e motivação de pessoas como "agentes de mudança" no processo é fundamental.

  3. Usar métodos participativos no desenvolvimento do programa.

  O movimento GP deverá desenvolver-se de forma evolutiva na empresa, sendo orientado e ajustado de acordo com o "feedback" recebido do corpo funcional da empresa.

  4. Fazer a implantação "de cima para baixo".

  A GP no mundo ocidental (ao contrário do caso japonês) deverã ser um esforço "de cima pra baixo", começando-se pela alta direção e sucessivamente sensibilizando os outros níveis gerenciais até atingir todos os níveis da empresa.

  5. Investir em treinamento gerencial e inter-pessoal.

  Por tratar-se de mudança cultural na empresa, haverá necessidade de aplicar técnicas de treinamento para influenciar os hábitos e o comportamento dos corpos gerencial e funcional.

  Estes cuidados facilitarão a implantação do programa de gerência participativa. No entanto, algumas dificuldades totalmente se apresentarão e o planejamento de implementação do programa deverá levá-las em conta.

  Vale lembrar que, na busca da gerência participativa, nem sempre se atingirá os níveis de participação idealizados. No entanto, a plena gerência participativa pode ser vista como um ideal. Por exemplo, o da felicidade na vida. Apesar da dificuldade de atingi-la na sua plenitude, devemos insistir na sua busca, pois os resultados colhidos da gerência participativa beneficiarão tanto a empresa quanto os funcionários.




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