| A
COMUNICAÇÃO E O GERENTE |
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A
comunicação é a atividade mais freqüente do gerente, uma das
mais complexas e difíceis e está sujeita a constantes distorções
dentro da empresa. |
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| I
- COMUNICAÇÃO, Atividade mais freqüente do Gerente. |
Segundo
estudos realizados, sete de cada dez horas úteis (de um executivo)
são utilizadas para transmitir ou obter informações. Deste tempo,
escrever ocupa 11%, ler 15%, falar 31%, ouvir 43%. (1)
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O conceito moderno de gerência converge no mesmo sentido
da pesquisa para nos ensinar que a função gerencial é
hoje basicamente, uma função de comunicação." Há cinqüenta
ou setenta anos, escreve Berlo, o gerente de uma organização
industrial conhecia todas as operações executadas em sua
oficina. Era capaz de explicar cada técnica, de executar
ele próprio a maioria das tarefas. Com o desenvolvimento
da automação e da produção em massa, vimos o aparecimento
do gerente profissional, o homem que chega ao topo da
escada não pelo que é capaz de fazer com as coisas, mas
pelo que pode fazer com as pessoas por meio da comunicação."
(2) |
Este texto de Berlo é muito rico de
significação sobre o papel do gerente na empresa moderna. Ao
gerente não cabe fazer, mas fazer fazer. Isto é, na complexidade
da organização atual, não lhe é pedido que faça as coisas diretamente,
nem isto é possível. Ele não pode ter todas as habilidades técnicas
exigidas de seus funcionários. Não lhe compete ser o melhor
técnico. Não é esta a sua função. Quanto mais alto for o nível
administrativo, menos se exige do gerente habilidades técnicas
e mais se requer habilidade humana, capacidade e discernimento
para trabalhar com pessoas, o que inclui compreensão da motivação
humana e liderança eficiente e habilidade conceitual , ou seja,
saber compreender complexidades da organização global e o ajustamento
das operações da pessoa na organização. A habilidade conceitual
e particularmente a humana requeridas do gerente exigem que
ele seja um comunicador profissional. Sabendo
lidar com as pessoas através da comunicação e compreendendo
a empresa como um sistema integrado, o gerente poderá conseguir
a melhor utilização das habilidades técnicas de seus funcionários
e fazê-las convergir para os objetos organizacionais. Se estas
habilidades lhe faltarem, não conseguirá ser um gerente eficaz,
mesmo que tenha grande habilidade técnica.
(1) Estudo realizado
pelo Dr. Paul T. Rankin, da Universidade de Ohio
(2) BERLO, David
K.: O Processo de comunicação, p.14. |
| II
- COMUNICAÇÃO, Atividade Complexa e Difícil. |
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Contrariamente
ao que se costuma pensar, a comunicação é muito complexa e
difícil. A complexidade e dificuldade da comunicação na empresa
decorrem dos fatores que envolve e da diversidade de tipos
de comunicação existentes dentro de uma organização.
Os muitos fatores que intervêm na
comunicação podem ser sintetizados basicamente em três: o
psicológico, o sociológico ou cultura, e o técnico.
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o
sociológico ou cultura, |
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Não se pode compreender a comunicação
independente do processo psicológico do qual depende fundamentalmente.
A comunicação é um processo pessoal. A fonte e o recebedor
da comunicação são pessoas. Os diversos mecanismos psicológicos
intervêm na comunicação. Ao transmitir ou receber alguma mensagem,
o indivíduo procede de acordo com suas características pessoais
selecionando a mensagem, interpretando-a, modificando-a, acrescentando
e/ou suprimindo aspectos, em suma colorindo-a de acordo com
o próprio subjetivismo. A percepção é o elemento, essencial
para a comunicação. Funciona como uma central de informações
onde os elementos são processados. O que complica consideravelmente,
em prejuízo da objetividade da comunicação, é que, na sua
elaboração,a percepção é influenciada por muitos fatores que
formam a lente pessoal, tais como: as experiências vividas,
os valores adotados, as emoções, as atitudes, os interesses
e a motivação. Levando em conta todos esses elementos psicológicos
que influenciam na transmissão e percepção de uma mensagem,
pode-se concluir como é difícil comunicar de maneira objetiva.
Mas a comunicação é ainda muito mais
difícil do que parece, se temos em vista o seu conceito. Comunicar
não significa simplesmente informar, como se pode pensar.
A comunicação envolve compreensão e persuasão. Só existe comunicação
se a mensagem for compreendida e, mais ainda, como afirma
David Berlo (3), se houver persuasão.
Para comunicar precisamos saber persuadir
o receptor.
O fator sociológico é outra variável
fundamental que influencia a comunicação. Não se pode entender
o significado da mensagem fora do contexto cultural em que
ela é mantida. É a cultura que dá o sentido das palavras,
dos sinais e dos gestos. Como na percepção individual, os
valores culturais condicionam a comunicação grupal.
O processo de comunicação na empresa,
além das características individuais, depende das normas,
padrões e valores dos grupos, das relações intergrupais tais
como a competição, e das características organizacionais propriamente
ditas. A organização, por sua vez, como sistema aberto, sofre
as influências da cultura em que está inserida. Embora distintas,
estas diversas realidades interdependem entre si, tornando
a comunicação mais complexa. Quanto mais alto o nível gerencial,
mais o gerente deve saber levar em conta esses diversos fatores
ao se comunicar. Tanto mais alta a sua função, menos estruturada
é a comunicação, mais ela vai depender da sua capacidade de
saber lidar com as pessoas e tomar decisões.
Ainda sob o ponto-de-vista sociológico,
o gerente não pode esquecer alguns fatores decisivos para
a comunicação, tais como as diferenças de classe e de cultura,
as diversidades de papel e status, os níveis hierárquicos
da empresa, os grupos formais e informais e o papel desempenhado
pela comunicação informal.
O terceiro fator determinante da
comunicação na empresa é o técnico. Como fator técnico deve-se
entender tanto a natureza dos assuntos tratados como a escolha
dos canais adequados.
Para comunicar-se com eficácia, o
gerente precisa conhecer bem os assuntos a serem tratados.
É como em uma tradução. Para ser bom tradutor, é necessário
conhecer bem as línguas com que se lida e o assunto. Assim
o gerente precisa conhecer-se como emissor da mensagem, conhecer
o receptor, sabendo falar-lhe em linguagem inteligível e adaptando-se
à cultura, aos seus valores. sua classe social, seu nível
hierárquico, seus interesses e expectativas. Além de tudo
isso, precisa conhecer o assunto e a melhor maneira de comunicá-lo
(escolha dos canais). A dificuldade provém de que na empresa
moderna cada vez mais os assuntos se tornam complexos e especializados,
ninguém possuindo isoladamente todas as informações necessárias.
O sistema de comunicação organizacional
é amplo e implica em toda uma variedade de tipos de comunicação:
| Sendo
a empresa um sistema aberto, há primeiramente que considerar
a comunicação de fora para dentro (input) e de dentro
para fora (output), e a que se faz dentro da empresa (through-put).
É fundamental entender a empresa como fazendo parte de
um sistema mais amplo, do qual ela depende totalmente
e em função do qual ela existe. Se o seu "input " de informações
for deficiente por falta de sensibilidade ao meio-ambiente
ou por resistência às transformações, ela não acompanhará
as alterações ambientais e o seu "output" deixará de corresponder
às necessidades do sistema global; tornar-se-á superada
e perderá aos poucos a sua razão de existir, o que pode
significar, em termos de comunicação, o enfraquecimento
de sua imagem e, em termos financeiros, a sua crise ou
mesmo falência. Nesse sentido, o êxito atual pode ser
ilusório, encobrindo o fracasso a longo prazo. |
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| No
"throughput" as informações são processadas dentro da
empresa. São selecionadas, armazenadas, ordenadas e aproveitadas
para voltarem, modificadas, à sociedade-ambiente que é
a fonte de onde tudo provém - matérias-primas, tecnologia,
capital e sobretudo os recursos humanos - e o termo de
suas atividades, pois a empresa não é um fim em si (do
que parece esquecerem-se certos executivos). |
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Como comunicações internas existem, entre outras, na empresa
as comunicações formais e informais (quanto à forma);
comunicações descendentes, ascendentes, horizontal e diagonais
(quanto à direção); comunicações escritas (memorandos,
cartas , quadros de aviso, jornais, manuais, panfletos,
relatórios, manuais de treinamento e de serviço, cartazes,
etc.); comunicações verbais (contatos pessoais, entrevistas,
conferências, reuniões, sessões de treinamento, sistemas
de alto-falantes, comunicações telefônicas, etc.) e comunicação
audiovisual (quanto ao canal). |
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A eficácia maior ou menor de cada um desses tipos de comunicação
depende de cada situação, sendo, em geral, mais eficaz
a redundância, ou seja, repetir a mensagem , quanto maior
for a sua importância, através de vários canais, e não
apenas por um. No entanto, existe por parte de certos
gerentes a tendência de só considerar a comunicação formal,
comunicação descendente e comunicação por escrito, minimizando
a importância e função da comunicação informal, comunicação
ascendente e comunicação verbal dentro da empresa |
(3) BERLO, David
K.: op.cit., pp. 11-27
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| III
- DISTORÇÕES E DEFICIÊNCIAS DO SISTEMA DE COMUNICAÇÃO DAS EMPRESAS. |
A
complexidade e dificuldade inerentes ao processo de comunicação
demostradas acima já deixam entrever a impossibilidade de uma
comunicação totalmente objetiva e sem falhas. No que diz respeito
à empresa, as pesquisas comprovam plenamente esta conclusão.
Em recente estudo, aproximadamente 74% dos gerentes escolhidos
de companhias do Japão, da Inglaterra e dos Estados Unidos citaram
o colapso da comunicação como o maior entrave isolado para a
excelência organizacional (4) Likert, baseado
em numerosas pesquisas, afirma que "a comunicação é essencial
ao funcionamento de uma organização. É amplamente reconhecida
como um dos mais importantes processos de administração. Não
obstante, os sistemas de comunicação da maior parte das companhias
apresentam graves defeitos". (5)
Um recente levantamento de cerca de
cem firmas mostrou quanto do que diz a alta administração é
realmente compreendido. Os resultados surpreendentes foram os
seguintes:
| Os
executivos do nível de vice-presidência compreendem aproximadamente
dois terço do que ouvem da administração superior. |
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Os gerentes do nível departamental compreendem 56%. |
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Os chefes da primeira linha, 30% |
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Os homens da linha de produção, 20%. |
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As falhas de comunicação acarretam
grandes prejuízos às empresas, causam perdas de tempo e de esforço,
afetam a motivação e deterioram as relações humanas, num clima
de acusação mútua pelas falhas ocorridas. Na realidade, não
existem apenas distorções isoladas. É o próprio sistema de
comunicação da empresa que, em geral, é deficiente.
Mais grave do que as deficiências da
comunicação descendente apontadas acima, são as deficiências
da comunicação ascendente. Esta é tão importante para a eficácia
organizacional quanto a comunicação descendente. No entanto,
a maioria dos executivos, quando fala dos problemas de comunicação
na empresa, pensa somente na comunicação descendente. Likert
atribui esta mentalidade às teorias clássicas de administração
que, ao colocarem em primeiro plano o controle, a cadeia de
comando e o fluxo descendente de ordens e de influência, não
deram o destaque correspondente à comunicação ascendente adequada
e exata. Em conseqüência, as barreiras existentes na comunicação
ascendente são muito maiores, sendo as informações filtradas
e selecionadas. A maioria dos subordinados, em função desse
sistema aprendeu, a dizer aos superiores apenas aquilo que eles
desejam ouvir, deixando-os mal informados, mas livrando-se de
embaraços. "Mesmo tratando-se de coisas importantes para
o trabalho, afirma Likert, os subordinados sentem-se muito menos
à vontade para debater tais assuntos com o patrão do que este
supõe" (6). Ainda Likert relata que, de suas reuniões
com o pessoal de alta e média administração, quatro de cada
cinco pessoas afirmaram que os problemas de comunicação de maior
relevância se relacionavam com comunicação descendente. Apenas
uma de cada dez pessoas observou que o principal problema dizia
respeito à comunicação ascendente . Este mesmo ponto é confirmado
por um levantamento em cinqüenta e três empresas industriais
representativas, no Estado de Nova Iorque. Enquanto em todas
as empresas pesquisadas foi manifestado o interesse em levar
o ponto-de-vista da administração aos empregados, quase todas
se mostravam menos preocupadas em descobrir os pontos-de-vista
desses empregados. (7)
Nada leva a pensar que na administração
brasileira a mentalidade seja diferente com os executivos mais
preocupados com a comunicação ascendente. A situação é provavelmente
a mesma dos executivos americanos e europeus, embora faltem
pesquisas mais sistemáticas. Além da influência das teorias
clássicas de administração a que se refere Likert, essa preocupação
maior com a comunicação descendente deve explicar-se pela tendência
muito comum de somente pensar-se em comunicação quando se quer
transmitir algo. Esquece-se de que saber ouvir é um dos atos
mais importantes em comunicação. E, no caso do gerente, ouvir
trata-se da sua atividade mais freqüente como profissional de
comunicação, como o demostrou a pesquisa revelada no início
deste trabalho.
(4)
BLAKE
and MOUTON, I.: Corporate Excellence Through Grid Organization
Development. Houston, Texas: Culf Publishing Co., 1968, p.4.
(5) LIKERT, Rensis: Novos Padrões de Administração: Bibliot.
Pioneira de Administração 1971, p 63.
(6) LIKERT, Rensis: op. cit , p.66.
(7) LIKERT, Rensis: Novos Padrões de Administração: Bibliot.
Pioneira de Administração 1971, p 63. |
| EM
SÍNTESE
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| A
comunicação é a atividade mais freqüente do gerente, que é,
por isso mesmo, um profissional de comunicação. Sua função não
é a de fazer as coisas diretamente, mas de fazê-las através
de pessoas pela comunicação. Por isso, é mais importante para
saber comunicar do que ter habilidades técnicas. A comunicação,
no entanto, é muito complexa e difícil, abrangendo dimensões
psicológicas, sociológicas e técnicas, exigindo do gerente um
conhecimento de todos esses campos e compreensão da interdependência
dos mesmos no sistema organizacional, que é um sistema aberto,
dependente da cultura ambiental em que está inserido. Ele deve
estar consciente para as distorções de comunicação que existem
dentro da empresa em todos os níveis, e entende-las não como
fatos isolados ou por culpas individuais, mas como decorrência
de um sistema de comunicação deficiente. Entre essas deficiências
está a tendência do pessoal da alta e média administração para
só preocupar-se com a comunicação descendente, esquecendo-se
de que a comunicação ascendente é fundamental para a eficácia
organizacional. O gerente não pode esquecer também o papel desempenhado
pela comunicação informal dentro da empresa, sabendo tirar partido
dela como complementação da comunicação formal. |
| Conclusões
e Comentários sobre o filme de David Berlo: |
| "COMO
EVITAR LAPSOS NA COMUNICAÇÃO" |
| Quando
há falhas na comunicação, não adianta procurar os
culpados. |
Esta é a tendência mais freqüente, sempre que ocorrem
falhas na comunicação. Procuramos saber quem foi o culpado
para responsabiliza-lo e puni-lo. Mas essa medida não
resolve nada. Apenas alivia a consciência de quem a toma.
O pior é que, em geral, como se diz popularmente, "a corda
rompe sempre do lado mais fraco". O que é preciso é ir
às causas da distorção, analisando o processo de comunicação
para prevenir as falhas para o futuro.
|
É necessário o gerente saber prever as falhas da
comunicação para preveni-las. Acreditar que a mensagem
será distorcida. Podemos reduzir os lapsos se prevermos
suas causas. |
 |
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São afirmações de Berlo que se complementam.
Elas estão baseadas num grande realismo. A comunicação
envolve tantos elementos, está sujeita a tantos condicionamentos,
enfrenta tantas barreiras que é praticamente impossível
evitar todas as distorções. Se o comunicador parte desse
princípio e de antemão procura prevenir os lapsos, eles
acontecerão em menor números. Esta é uma das funções do
gerente. Como " agente de comunicação " ele deve preparar
cuidadosamente suas comunicações. É importante também
que, embora seja um " homem ocupado ele esteja atento
á possível importância de cada informação que lhe chega.
É o problema da "competição da mensagem". Não querendo
perder tempo, como o Vice-Presidente, no filme, o executivo
termina por perder muito mais tempo no futuro... Ao preparar
suas comunicações, o gerente deve levar em conta o "Ego-Status"
das pessoas a quem vai dirigir-se, pois "não adianta falar
quando não ganhamos a atenção do outro". E só ganhamos
a sua atenção quando partimos de seus interesses e expectativas."
O gerente deve estar atento para não criar "falsas expectativas".
Não adianta afirmar, por palavras, que a porta está aberta
para virem até ele falar e perguntar o que quiserem, se
com suas atitudes e comportamentos, ele fecha com uma
mão a porta que abriu com a outra - como o gerente do
filme, ao declarar. "Perguntem o que devem e não o
que não devem..."
Outra causa importante apontada por Berlo,
"a mais difícil de ser evitada", sobretudo numa empresa
grande, é o "número de elos da cadeia". Cada elo influencia
no conteúdo da mensagem, suprimindo e acrescentando elementos
de acordo com percepção das pessoas.
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Em comunicação o significado
está nas pessoas. |
Esta à uma das principais conclusões
do filme. Não existe comunicação totalmente objetivo.
Ela se faz entre pessoas. E cada pessoa é um mundo com
seus subjetivismos, suas vivências e experiências pessoas,
sua cultura, seus valores, suas atitudes, interesses e
expectativas. A percepção pessoal funciona como um processo
de filtragem que condiciona a mensagem segundo a própria
lente. As pessoas não ouvem o que lhes é dito, mas o que
querem ouvir... Indo mais longe, podemos afirmar, em termos
de psicologia profunda, que as pessoa ouvem o que podem
ouvir. A sua percepção é limitada pelos bloqueios e condicionamentos
que atuam inconscientemente selecionando as mensagens,
alterando o conteúdo, suprimindo ou acrescentando elementos.
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A comunicação eficaz
começa quando se vê o mundo do ponto de vista dos
outros (empatia). |
A empatia, ou colocar-se no lugar do outro para
ver o mundo com os seus olhos, é a maneira de que dispomos
para superar, pelo menos parcialmente, os problemas mostrados
acima. Se cada pessoa é um mundo e se vê as coisas com
sua própria lente, só podemos comunicar-nos se fizermos
um esforço para adaptar nossa lente à do outro, entendendo
porque ele vê as coisas a seu modo. É necessário conhecer
a outra parte; mais do que isso, senti-la utilizando toda
a sensibilidade e capacidade intuitiva de que dispomos.
Mas isso não é fácil. Exige muito esforço para superar
a ótica de nossos preconceitos, simplificações e generalizações
fáceis. exige um processo constante de aprendizagem ,
tendo a humildade de reconhecer que não sabemos tudo de
comunicação. Berlo adverte que uma das barreiras para
a comunicação é o gerente pensar que comunicar é fácil.
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Nunca pergunte a alguém se entendeu a mensagem,
mas como a entendeu ou o que vai fazer. |
Este é um principio prático de
grande utilidade. É uma das maneiras de fazer o "feedback",
isto é, de "checar" para ver como a mensagem foi entendida.
Se perguntamos a alguém, se entendeu, a tendência natural,
por um processo de defesa, é de responder afirmativamente,
sobretudo nas relações chefe-subordinado. É a mesma coisa
se perguntamos se "está claro". Pode-se responder que
sim, mas o que é claro para um não significa necessariamente
a mesma coisa para outro. É preciso, porém, tato, para
saber verificar como a mensagem foi entendida sem ferir
as susceptibilidades do interlocutor.
O "feedback" não se faz só pelas
palavras. Devemos ler as pessoas através de tudo: fisionomia,
postura, entonação de voz, gestos, atitudes, comportamento
e reações e não apenas pelas palavras, pois o significado
está nelas.
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