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PESSOAS NA ORGANIZAÇÃO COMO O SEU PRINCIPAL RECURSO, O PAPEL
DO R.H. E A IMPORTÂNCIA DOS TREINAMENTOS |
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| A
principal atividade de um gestor ou líder é a de conduzir pessoas,
como o próprio nome indica, sabendo para isso lidar com elas
e conseguir os melhores resultados. As pessoas são, sem dúvida,
o principal ativo de uma organização, o seu mais importante
recurso, o recurso humano. Em outras palavras, elas são o capital
intelectual, o mais importante de uma empresa realmente moderna.
Como bem afirma Stewart no prefácio de seu livro "Capital Intelectual",
este "é a nova vantagem competitiva das empresas". Atualmente,
levam mais vantagens e têm pela frente melhores perspectivas
e chances de maior sucesso não as empresas que dispõem de mais
recursos financeiros e tecnologia, mas as que contam com melhor
capital humano. Isto envolve, por um lado, melhores informações,
mais conhecimento, intuição e criatividade e, por outro, maior
comprometimento/motivação, união, todos jogando realmente em
um time e possibilitando um trabalho com mais sinergia e criatividade.
Nessa organização ideal, como deve e precisa ser, são pois maiores
e melhores os resultados e, em contrapartida, maior também o
retorno para os membros da empresa, retorno não só em termos
financeiros como em termos de reconhecimento - o que é psicologicamente
fundamental - e perspectivas de crescimento. Um negócio só é
bom, sobretudo a médio e longo prazo, quando é bom para ambas
as partes. A boa organização, aquela realmente inteligente e
de visão, não pode ser nem paternalista (fazendo excessivas
concessões aos empregados em detrimento dos resultados, que
ficam muito aquém do que deve e pode ser atingido), nem um tipo
de empresa sugadora, que tira o máximo dos funcionários e dá
o mínimo como retorno. |
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É muito mais fácil ter a consciência teórica da
importância fundamental das pessoas nas organizações, como o
seu maior trunfo, e da necessidade, por conseguinte, de saber
lidar bem com elas, do que conscientizar-se disso e conseguir
passar do discurso para a prática. A psicologia e a experiência
mostram que ter apenas consciência muda pouco o comportamento.
Não basta estar informado, saber racionalmente que um comportamento
é inadequado, por exemplo, que fumar faz mal à saúde. Os médicos
sabem e, no entanto, muitos deles fumam. O que muda o comportamento
é a conscientização. A própria palavra já sugere: consciente
à ação. A conscientização acontece quando ficamos realmente
imbuídos e predispostos, determinados a agir de acordo com aquilo
que passamos a conhecer e acreditar. Voltando ao nosso tema,
não é suficiente estar consciente de que as pessoas são na organização
o seu principal ativo e que é fundamental investir nelas, buscar
desenvolvê-las em todo o seu potencial, saber lidar com elas
com habilidade e sensibilidade, saber entendê-las e senti-las
com muita empatia, motivá-las e envolvê-las ao máximo, ter uma
comunicação transparente e saudável, implantando a prática construtiva
do feedback e conseguindo perceber a tempo os conflitos para
administrá-los devidamente. Criar um clima saudável em que as
pessoas possam realizar-se com o que fazem e com quem fazem,
identificadas com a empresa e orgulhosos dela, desfrutando de
um ótimo clima de qualidade de vida. Não basta saber tudo isso
se não for conscientizado! Conscientizar-se e conscientizar
os demais é o grande desafio.
Tudo o que foi colocado acima, é possível conseguir
ou não passa de utopia? Podemos responder que é possível sim,
que se trata de uma "utopia realista". Mas não é fácil. Algumas
empresas e lideranças já estão próximas de consegui-lo; outras
empresas e lideranças infelizmente ainda têm um longo caminho
a percorrer. Precisam acordar e reconhecer isso saindo de uma
cegueira e de atitudes defensivas que, no fundo, são expressões
de insegurança. Várias condições são necessárias.
| A
primeira condição para chegar a uma organização ideal
em que empresa e pessoas formem um casamento perfeito
é acreditar que isso é possível, desde que se trabalhe
seriamente para atingir este objetivo importante. |
| A
segunda condição é perceber e conscientizar-se de que
tal objetivo é cada vez mais importante e fundamental
para ter chances nos novos tempos. No passado, devido
à cultura então dominante, havia maior acomodação, passividade
e submissão diante de empresas e chefias frias, autoritárias,
arbitrárias e, às vezes, sem nenhuma habilidade para lidar
com os chamados subordinados. O modelo das empresas era
baseado no modelo de organização militar. Não era à toa
que se dizia, e infelizmente ainda se diz, que "manda
quem pode e obedece quem tem juízo" ou, segundo Henry
Ford, "tudo o que se espera de um empregado é que cumpra
as ordens que vêm de cima". |
Nos novos tempos, com a superação cada vez mais
rápida dos paradigmas e modelos autoritários que dominavam a
sociedade e a educação, terão mais chance as empresas e lideranças
que aprenderem a lidar com as pessoas, conquistá-las, desenvolvê-las
e conscientizá-las; os gestores que souberem usar o poder
da liderança e não a pseudoliderança do poder. Pela
força não se ganham mentes e corações, apenas submissão aparente
quando, por medo ou necessidade, as pessoas precisam fingir
que aceitam gritos e comportamentos arrogantes, descontrolados
e autoritários. As empresas em que isso acontece pagarão, cada
vez mais, um alto preço. Desmotivadas e trabalhando apenas por
medo, as pessoas seguramente não dão o melhor de si, com prejuízo
da produtividade e mais ainda da qualidade e criatividade, sem
falar no aumento do estresse e suas danosas conseqüências. Em
um momento crítico de crise do desemprego generalizado, as reações
ficam mais mascaradas ainda; muitas vezes, por necessidade,
as pessoas aceitam permanecer em empregos que detestam mas trabalham
sem nenhum empenho ou dedicação. Ao fim de uma crise (pois nenhuma
crise pode ser permanente), essas pessoas insatisfeitas certamente
irão embora logo que surgir uma oportunidade. Dar-se-ão melhor
as organizações que estiverem mais preparadas e tiverem investido
mais nas pessoas.
| A
terceira condição para que uma organização se aproxime
cada vez mais da situação ideal é não negar a realidade:
saber reconhecer seus problemas comportamentais e organizacionais,
diagnosticar o que deve melhorar em sua cultura e modelo
adotado, preparando-se mediante um bom programa de desenvolvimento
organizacional. Quanto aos gestores ou candidatos a gestores,
devem procurar enfrentar o seu lado cego e defensivo que
inevitavelmente existe no ser humano. Devem buscar, de
forma corajosa e determinada, reconhecer o que têm a melhorar
ou questionar-se. Insegurança! Precisam os gestores ou
futuros gestores saber descobrir e identificar em si mesmos
tudo aquilo que, de forma consciente e sobretudo inconsciente,
está incorporado em seus modelos de comportamento e não
é positivo, embora eles não o percebam! Para isso, repito,
a prática saudável do feedback é fundamental. O líder
deve dar o exemplo pois são os exemplos que arrastam.
"As palavras comovem, os exemplos arrastam", já dizia
Santo Agostinho no séc. V. O líder deve ser o primeiro
a praticar o feedback, não apenas dando feedback adequadamente
como também estimulando seus liderados a lhe darem feedback,
sabendo ouvi-los e processá-los. |
No que diz respeito aos gestores, um problema real
é que geralmente são escolhidos para cargos de chefia por sua
habilidade técnica, por saberem fazer bem o que fazem e não
pelo potencial de liderança e habilidade em conduzir e lidar
com pessoas. Aí o desafio: como gerentes, a eles já não mais
cabe fazer mas, fazer fazer. O risco é então o de continuarem
fazendo, tornando-se centralizadores, ou o de não terem a competência
interpessoal necessária para saber conseguir os resultados através
dos liderados por meio de uma boa comunicação e motivação.
O bom líder precisa usar todas as áreas do cérebro,
particularmente as áreas do lado direito. O problema é que em
geral no ensino acadêmico tradicional e na prática do dia-a-dia
das empresas são mais usadas e desenvolvidos o lado esquerdo,
ou seja, o lado lógico, analítico, técnico, financeiro (lado
esquerdo superior) e o lado organizado, prático, detalhista
(esquerdo inferior); na maioria dos casos, é bem pouco desenvolvido
o lado direito do cérebro, muito importante para o líder, a
saber:
| - capacidade
de lidar com as pessoas e as emoções (lado direito inferior)
e visão estratégica, |
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- intuição e capacidade
de inovar (direito superior) |
| Daí
a importância fundamental dos treinamentos nas organizações.
Treinamentos não apenas técnicos - os mais freqüentes
- mas sobretudo na área comportamental e organizacional.
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A continuidade é extremamente necessária. A falta
de continuidade dos treinamentos é um problema de boa parte
das empresas brasileiras. Ela é importante, primeiro, porque
as pessoas, e mais ainda as organizações, não mudam da noite
para o dia: cultura não se muda de repente; segundo porque,
sem o reforço e a continuidade, é próprio do ser humano ir voltando
aos poucos a comportamentos anteriores já incorporados; em terceiro
lugar, porque a realidade humana é muito dinâmica, em constante
e cada vez mais rápido processo de mutação. Há sempre o que
atualizar e o aprimoramento não deve sofrer solução de continuidade,
nem dentro, nem fora da empresa. Como afirma Tom Peters, "os
funcionários devem estar em treinamento constante. É estúpido
cortar orçamentos de treinamento em épocas de recessão. As empresas
brasileiras deveriam aproveitar a recessão para treinar. É preciso
transformar a companhia em uma escola"(Folha de São Paulo,
24.08.90).
Aqui entra a área de Recursos humanos, cada
dia mais reconhecida na sua missão e importância pelo papel
que lhe cabe, essencial numa organização moderna. Antes, o R.H.,
chamado Departamento de Pessoal, era apenas mero executor de
atividades rotineiras a serviço das áreas administrativa e financeira:
contratar, remunerar, demitir etc. Modernamente vem se aproximando
a passos largos do lugar que merece por sua missão de conquistar,
manter e desenvolver o principal capital da empresa, preparando-a
para atender às suas necessidades atuais e futuras.
| Além
das atividades de rotina ligadas às pessoas, cabe ao R.H.
cuidar do clima organizacional e da saúde da empresa no
sentido mais amplo, bem como participar do Comitê de Gestão
na definição de sua missão, estratégias, objetivos e valores.
Para cuidar da saúde da empresa, precisa elaborar planos
de desenvolvimento organizacional a partir de diagnósticos
periódicos da realidade, determinando o que precisa ser
feito, quais as intervenções mais necessárias, nunca esquecendo
que é melhor prevenir do que remediar. É claro que o próprio
gestor tem como uma de suas atribuições uma função de
R.H. O papel do profissional de R.H. é ser o seu consultor
e parceiro interno. E por falar em consultor, é importante
lembrar que o R.H. interno das empresas precisa ser ajudado
pelos consultores externos. Quem vê de fora e não está
envolvido na rotina do dia-a-dia tem condições de dar
contribuições imprescindíveis. O consultor externo é importante
dentro dos Programas de Desenvolvimento Organizacional
e comportamental, desde que seja a pessoa certa. Como
noutros campos, é preciso saber escolhê-lo criteriosamente,
distinguindo o joio do trigo; procurar ver o trabalho
que fez e seus resultados; não deixar-se levar apenas
pela habilidade com que se vende. O bom consultor na área
organizacional e comportamental deve funcionar como um
facilitador, sendo como um terapeuta organizacional. Não
cabe a ele dizer o que deve ser feito mas, usando a sua
experiência, sensibilidade e know-how, trabalhar o clima,
criar condições para que os próprios membros da organização
possam perceber e resolver melhor seus problemas, superar
seus conflitos e estabelecer seu plano de ação. No caso
dos conflitos pessoais e organizacionais maiores, a ajuda
de um bom consultor comportamental é muito importante.
O conflito é como uma infecção: se não é detectado e tratado
a tempo se agrava e, às vezes, o remédio chega tarde demais. |
Para finalizar o tema das pessoas na organização,
é útil voltarmos à imagem do time. Tal como num time de futebol
ou seleção não basta haver profissionais de grande valor se
não são unidos, não se entendem e não jogam efetivamente em
conjunto com o máximo de garra, dedicação e colaboração mútua,
assim também numa organização. Um grande desafio é unir as pessoas
e as diversas áreas (desafio maior?) que compõem uma empresa.
Aliás, uma colocação oportuna: para jogar bem, como um bom time,
uma ou duas vezes por semana, os jogadores treinam a semana
inteira. E nas empresas? Para atuar a semana inteira, trabalhar
bem em conjunto e atingir os gols, quanto tempo treinam? |
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