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Estamos
entrando na era dos negócios móveis: A empresa
na nossa mão |
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Estamos
entrando na era dos negócios móveis: A empresa
na nossa mão
A revista americana Popular Science prevê que as tecnologias
de PDA, celular, handhelds, leptop, estão se fundindo, teremos
no futuro os super SmartPhones ( celular e palmtop num mesmo aparelho),
que vem ao encontro da nossa afirmação no ger@nalise
de junho: em poucos anos os micro e pequenos empresários
terão a empresa na palma da mão; estamos entrando
na era m-business, do negócio móvel. A partir dessa
nova geração de SmartPhones, misto de celular, palmtop
e laptop, o empresário poderá acessar virtualmente
o banco de dados dos seus estoques, verificar a conta bancária
e fazer movimentação financeira, comprar, vender,
passar e-mail, fotografar, enviar fotografia, dar ordem de fabricação,
pesquisar na Internet, enfim, gerir a empresa de qualquer lugar.
Alertávamos que a popularização dessas novas
tecnologias está condicionada à superação
de alguns obstáculos, não instransponíveis:
equipamentos ainda são muito caros, limitações
nos sistemas operacionais para rodar a maioria dos programas, limitação
da capacidade de memória, e o desconforto de alimentar dados
via digitação no teclado de celular e PDA. Como esses
problemas estão sendo equacionados?
Preço – Há quatro anos um PDA
simples (tipo palm zire) custava $1,5 mil dólares,
hoje um palm modelo mais simples custa cerca de $150
dólares. Segundo Bob Metcalfe (lei de Metcalfe)
o valor do produto é calculado de acordo com
o número de usuários que o utilizam.
Portanto, a entrada de uma nova tecnologia no mercado
exige aperfeiçoamentos e produção
em escala que reduza o preço do produto tornando-o
acessível ao maior número de usuários,
fazendo crescer o valor de mercado dessa tecnologia.
Foi assim com a máquina xerox, com os primeiros
celulares e será assim com os SmartPhones. A
cada ano crescerão as camadas de micro e pequenos
empresários de menor poder aquisitivo que terão
acesso à esses equipamentos.
Capacidade de memória – Gordon Moore,
um dos fundadores da Intel, preconizou em 1975 que
a capacidade de um chip de computador dobraria a cada
dois anos e até hoje a Lei de Moore tem prevalecido:
a capacidade dos chips tem dobrado a cada 18 meses.
Os discos rígidos armazenam atualmente cerca
de 6 gigabits por polegada quadrada e os pesquisadores
dizem que teoricamente poderão chegar a 150
gigabits por polegada quadrada, o que deixa uma longa
trajetória para a Lei de Moore. A revista Popular
Science de abril traz o protótipo de PDA (SmartPhone)
para 2010 que terá capacidade de 250 gigabits
de armazenamento interno, capacidade de memória
muito maior que de qualquer leptop hoje conhecido.
No entanto os atuais e futuros SmartPhones não
dependem exclusivamente da capacidade de memória
interna, a tendência atual é armazenarmos
tudo que desejamos e precisamos num disco virtual disponível
na Internet. A cada necessidade recorremos a esse disco
e baixamos via o SmartPhone o que desejamos. Provedores
como Terra e Yahoo já disponibilizam no Brasil
esses discos aos correntistas.
Sistemas operacionais – Da mesma forma que os
computadores de mesa e os leptops possuem sistema operacional,
como o windows, os PDA’s (palmtop) e SmartPhones,
também são dotados de sistema operacional.
Existem sistemas operacionais desenvolvidos especificamente
para esses equipamentos, como: palm OS, Pocket PC,
Brew. Cresce todo dia de forma exponencial o número
de aplicativos disponíveis. O Palm OS, sistema
operacional mais popular, encontra-se instalado em
mais 29 milhões de equipamentos e conta com
mais de 275.000 desenvolvedores em todo o mundo.
Alimentação de dados – O inconveniente
de entrar dados no palm via escrita com caneta touch
screen (haste que vem com o palm para digitar dados
no teclado) é coisa do passado; keyboards (teclados)
dobráveis que podem ser levados no bolso estão
disponíveis para todas as linhas de PDA’s.
Recentemente foi lançado pela IBTZ Technology
Corp. o Virtual Laser Keyboard: acoplado ao palm ele
emite um feixe de laser que projeta na superfície
da mesa que a pessoa está trabalhando, um teclado
virtual tamanho padrão, onde se pode digitar
o texto como se estivesse usando o teclado de um computador
tamanho normal. A tecnologia de entrada de dados via
canal de voz tem avançado, tornando possível
ditar o texto para o palm. Outra tecnologia disponível, é palmtop
que desdobra numa tela do tamanho de um computador
normal. Essas inovações tecnológicas
permitem trabalhar num PDA como se estivéssemos
usando um computador de mesa normal; desdobra-se o
palmtop numa tela tamanho padrão de computador
de mesa e projeta-se um keyboard (teclado) tamanho
standard.
Carlos
Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos
e CEO do Geranegocio
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A
inclusão digital e o artesão |
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A inclusão digital e o artesão
Artesãos são pessoas dotadas de habilidades
manuais e conhecimentos que possibilitam transformar materiais
em produtos. A principal característica do artesão
é a criatividade: uma casca de coco, garrafa PET,
peça de madeira ou sucata de ferro, quando submetidas
ao olhar do artesão, viram obras de arte. Por que
razão essas pessoas que têm essa capacidade
interior de transformar em produtos utilitários
materiais que para maioria não tem nenhum significado
ou serventia, precisariam da inclusão digital?
Por que estas pessoas precisariam estar conectadas ao
mundo da Internet? Ao conectarmos esses artesãos
e globalizá-los, não estaríamos contribuindo
para descaracterização da sua cultura?
Para responder a essas questões precisamos compreender
de forma mais realista o mundo em que vivemos. Não
temos como evitar a globalização. A cultura
comunitária que molda as formas, processos e usos,
estabelecendo os hábitos e padrões sociais,
não é mais definida pelas fronteiras geográficas
do habitat do cidadão. Estamos na era das comunidades
virtuais, novas fontes de valores que moldam o comportamento
e a organização social. O cidadão
participa das comunidades virtuais do seu interesse, onde
não existem fronteiras. A interação
possibilita a ação biunívoca de influenciar
e ser influenciado. Proliferam as comunidades virtuais
preservacionistas de culturas e línguas indígenas,
movimentos culturais, musicais etc. Fica a questão
a ser respondida pelos antropólogos culturais e
outros estudiosos: a Internet a médio e longo prazo
contribuirá mais para conservação
ou destruição da cultura local?
A despeito desse lado polêmico da questão
cultural, existe outro irrefutavelmente positivo, da contribuição
da Internet para melhoria da renda, cidadania e qualidade
de vida do artesão. Que contribuição
é essa?
O artesão conectado encontrará na Internet
milhões de sites brasileiros e estrangeiros com
informações sobre o seu ofício, dicas
e passo-a-passo para fabricação de produtos
artesanais, novas técnicas artesanais, novos tipos
de matérias-primas, poderá comprar materiais,
acessórios e equipamentos, fazer cursos on line,
identificar feiras e eventos, obter informações
sobre crédito e microcrédito, acessar programas
governamentais, construir páginas na Internet para
divulgar seu trabalho, vender e exportar produtos.
A assistência de qualidade é o benefício
mais relevante que se pode levar em termos de qualificação
aos lugares mais remotos, como os pequenos municípios,
onde fica extremamente difícil levar uma qualificação
de maneira permanente.
A título de exemplo podemos citar o Curso On Line lançado no Portal Geranegocio. O curso, de artesanato, é especificamente voltado para ensinar o artesão a montar e gerir seu pequeno negócio de artesanato. Em dez lições, 20 horas em média, o artesão aprenderá: o que é artesanato, o que é criatividade e como ela se manifesta no artesão, conceitos de marketing e propaganda aplicados ao artesanato, preparação do produto para mercado, produção, pré-venda, venda, pós-venda, navegação na Internet focada no interesse do artesão, gestão do negócio de artesanato e dezenas de técnicas artesanais.
A importância do curso não se restringe à
abrangência do conteúdo, mas principalmente
às inovações que possibilitam ao
artesão sem nenhum conhecimento de informática
e baixa escolaridade, a grande maioria dos 9 milhões
de artesãos brasileiros, a oportunidade da qualificação
via Internet.
No desenvolvimento do curso estabelecemos o desafio, atendido
pelos nossos analistas e programadores: simplificar as
dificuldades de navegação ao nível
de uma urna eletrônica. A pessoa que tiver a capacidade
entrar em uma urna eletrônica e votar estará
tecnologicamente mais do que capacitada a fazer o curso
via Internet. Limitamos a navegação às
operações mais simples, como clicar, avançar,
voltar e arrastar. Os alunos também poderão
contar com assistência on line em tempo real durante
a aula, via Internet, para tirar dúvidas e auxiliar
na navegação.
Desenvolvemos o conteúdo dentro dos princípios
pedagógicos da “aprendizagem significativa”
de Ausubel. Adequamos (ancoramos) os conhecimentos a serem
adquiridos no processo de qualificação ao
nível do ensino básico incompleto: basta
o aluno saber ler e ser capaz de compreender textos de
baixa complexidade para realizar o curso. Esperamos com
esse curso contribuir de forma efetiva com a inclusão
digital positiva do artesão.
Carlos
Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos e CEO
do Geranegocio
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No
mundo globalizado, vantagens comparativas locais
não garantem vantagens competitivas |
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No
mundo globalizado, vantagens comparativas locais
não garantem vantagens competitivas
David
Ricardo, em 1817, foi o primeiro economista a abordar
e formular a teoria das vantagens comparativas. Ele
mostrou que o comércio internacional tornar-se-ia
mais vantajoso, cresceria significativamente, se
cada país produzisse bens onde comparativamente fosse
mais eficiente que os outros.
Hoje as vantagens comparativas não bastam, o comércio internacional evoluiu
muito nos últimos anos, multiplicam-se os acordos de livre comércio entre países
e implantação de áreas de livre comércio (NAFTA, ALCA, MERCOSUL, etc), estamos
na era do comércio global, do predomínio das vantagens competitivas. No mundo
globalizado, o conflito entre nações concentra-se, cada vez mais, nas quebras
de barreiras protecionistas, como os que agora estão envolvidos alguns dos
nossos produtos de exportação: sapato e geladeira com a Argentina; camarão
com os Estados Unidos.
Na busca das vantagens competitivas não bastam mão-de-obra barata, e disponibilidade
de recursos naturais, a nova equação da competitividade exige: sistema de distribuição
física de baixo custo, matéria-prima de alta qualidade, processo de produção
altamente eficiente, estrutura logística superior, modelo de negócio e marketing
em consonância com o comércio globalizado e as novas tecnologias de informação,
produto de qualidade nitidamente superior e de elevado valor agregado.
A competitividade passa pela busca incessante da inovação: inovar é preciso.
Inovar quer dizer transformar novas idéias em produtos, incorporar novas idéias
aos produtos existentes, processo, marketing e modelos de negócios. Mesmo os
artesãos nordestinos que desejam exportar bordados, produtos de sisal, cerâmica
, etc, estão descobrindo isso. Apoiados por instituições como o SEBRAE e programas
de inovação do MDIC estão se adequando ao gosto do comprador do mercado globalizado,
sem descaracterizar a identidade cultural dos seus produtos. O valor agregado
do nosso artesanato está na riqueza e diversidade da matéria prima, no trabalho
a mão, na arte e tradição. No entanto, precisam incorporar novos designs, cores,
padrões de qualidade e produção para atender as exigências e penetrar no rigoroso
mercado de exportação.
A generalização do exemplo do artesanato, proporcionar maior competitividade
ao nível do mercado global aos produtos, milhares de MPEs, passa pelo aproveitamento
das sinergias, das inter-relações, das vantagens locais, da atuação dessas
empresas de forma coletiva. A metodologia de desenvolvimento dos arranjos produtivos
locais –APL - associada à incorporação da tecnologia da informação é o melhor
caminho para atingir esse objetivo
Recente artigo da revista exame, mostra o exemplo prático da aplicação desta
solução: os fabricantes de sapatos infantis do município de Birigui com preços
que podem chegar ao triplo dos asiáticos, na busca de competitividade, se reuniram
na forma de APL e criam uma rede digital de integração de fabricantes, fornecedores,
universidades, bancos e outros. Através desse portal exclusivo, compartilham
informações, vendem seus produtos, compram matéria prima e recebem consultoria
online do Instituto Europeu de Designer de Milão, uma das mais importantes
escolas de designer da Itália. Outros exemplos poderíamos citar como dos comerciantes
da Rua Tereza em Petrópolis, Rio de Janeiro www.ruatereza.com.br.
Carlos
Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos e CEO
do Geranegocio
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A
Inovação e a MPE |
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| A
Inovação e a MPE
Na semana passada o operador
do ger@tendimento - serviço de atendimento online, gratuito,
prestado pelo portal Geranegocio aos MPEs – me solicitou, por
e-mail, responder questão para a qual não tinha encontrado
resposta satisfatória no conteúdo do Geranegocio e nas
pesquisas feitas nos demais sites correlatos na Internet. A questão
formulada pelo visitante do ger@tendimento foi: qual a diferença
entre descoberta, invenção, inovação e
imitação? A resposta inspirou o tema do ger@nalise deste
mês.
Descoberta diz respeito a algo existente que conseguimos
ver de uma nova forma, damos uma nova aplicação como,
por exemplo, a penicilina, fungo pertencente ao gênero Penicilium,
descoberto por Alexander Fleming ao acaso, graças a uma série
inacreditável de coincidências
Invenção diz respeito a algo novo,
fruto da capacidade de criação do homem, que vem desde
as ferramentas de pedra criadas a 2,6 milhões a.c, a roda criada
a 3500 a.c, até as mais modernas tecnologias que fazem parte
do nosso dia-a-dia, como o computador, celular,etc.
Inovação ocorre quando damos uma aplicação
prática para uma descoberta ou invenção. No caso
empresarial chamamos de inovação a implementação
de uma descoberta ou invenção que produza resultados
econômicos para a empresa.
Imitação nada tem de descoberta, invenção
ou inovação, trata-se de copiar algo descoberto ou inventado
por outro. Na atividade empresarial copiar sem agregar inovação
representa imitar e estar sempre a reboque do concorrente, quando
não, ficar sujeito a processo por quebra de patente ou direito
autoral.
No processo de formulação da resposta à questão
do nosso solicitante vieram a mente algumas questões relativas
a inovação na MPE: a inovação pode fazer
parte da pauta do micro e pequeno empresário? Pode-se aprender
a inovar? É possível inovar com muito pouco investimento?
Quais as conseqüências para MPE que abdica do tema inovação?
A inovação não é algo restrito ao produto,
pode ser conseguida no processo produtivo, no marketing, na forma
de comercialização, enfim, envolver qualquer etapa do
processo produtivo e de comercialização. Nas médias
e grandes empresas, na maioria dependentes do processo permanente
de desenvolvimento e absorção de novas tecnologias,
os programas de inovação são sistematizados,
levados a todos os departamentos, os empregados são qualificados
para esse fim, incentivados e premiados pelas contribuições
inovadoras.
Na micro e pequena empresa, principalmente aquelas com nenhum ou poucos
empregados, a coisa ocorre de forma diferente, muitas vezes não
faz parte da pauta do empreendedor, não existe tempo disponível
para pensar em inovar, afinal ele é o faz tudo; idealiza, produz,
compra, negocia com o banco, comercializa. No entanto as leis da competitividade
do mercado valem tanto para grande como para pequenas empresas: todos
os dias surgem produtos e serviços mais competitivos, frutos
de novas idéias ou do aperfeiçoamento dos existentes
buscando novos nichos de mercado ou tomar o espaço do concorrente
instalado. Como deve agir a MPE para não acordar com o produto
na mão sem competitividade?
Aprender a navegar na Internet. Se você é um micro
ou pequeno empresário que não tem hábito de
navegar na Internet na busca de novas matérias primas e preços
mais competitivos, novos processos produtivos, novos designers,
identificar o que está na moda, o que o concorrente está
lançando,etc, mude de comportamento hoje, pois você
é portador de fortes sintomas de obsolescência. Esta
máxima aplica-se do simples artesão de bijuteria aos
processos artesanais que envolvam sofisticadas tecnologias.
Buscar qualificação, qualificação...
qualificação deve ser a tônica. O processo permanente
de reciclagem nos cursos do SEBRAE e outras instituições,
nos oferecidos pela Internet, relativos ao seu produto, processo
de produção e técnicas de gestão nunca
serão demais ou suficientes.
Adote comportamento associativo. Procure participar de associações,
cooperativas, grupos de trabalho, grupos de discussão na
Internet, enfim, todo e qualquer movimento que agregue pessoas da
sua área de interesse.
Procure fortalecer o seu negócio fazendo parte de um APL
- arranjo produtivo local - cooperativas ou associações
de compras, produção e comercialização.
Tratando-se de novo negócio tente começar numa incubadora.
Pratique o ócio criativo. O negócio não está
indo bem, o produto não está vendendo é hora
de tirar umas férias. Pare alguns dias e pratique o ócio
criativo. Repasse todo o ciclo do seu negócio assuma passo-a-passo
os quatros papéis do processo criativo; pesquise (fase pesquisadora),
recrie o negócio (fase artista); julgue as alternativas criadas
e selecione os caminhos mais competitivos (fase juiz) e finalmente
implemente o que foi decidido (fase guerreira). Feche o processo
com show de inovação no seu negócio, retorne
ao mercado mais forte e competitivo.
Invista, nas suas possibilidades, em Inovação: nova
máquina, teste novos materiais, ensaie novas formas de comercialização,
etc.
Coloque na sua pauta inovação e temas correlatos
como competitividade, criatividade, benchmarking, etc.
Participe de movimentos como ANPEI - Associação
Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das
Empresas Inovadoras (www.anpei.org.br)
– visite sites como INFOTEC: www.infotec.org.br.
Carlos
Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos e CEO do Geranegocio
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A
tecnologia da informação e a micro e pequena empresa |
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Num
encontro recente, Márcio Girão,
presidente da SOFTEX (Sociedade para Promoção
da Excelência do Software Brasileiro), me relatou
que está participando de um grupo de trabalho
que visa estabelecer a política pública
para disseminar o uso da tecnologia da informação
no âmbito das micro e pequenas empresas. A principal
preocupação do meu amigo Márcio,
por força da função que exerce, é a
política de desenvolvimento de software para
as MPEs. Lá pelas tantas ele me perguntou: na
sua opinião o que deve ser feito para desenvolver
a indústria de produção de software
voltada às MPEs e como estimular, massificar
o uso desses softwares?
Respondi: primeiro precisamos desenvolver amplo programa
de desmistificação do computador e informática,
ampliando o conhecimento dos benefícios e vantagens
competitivas advindas das novas tecnologias de software
e Internet. Conscientizados, entendendo os benefícios
despertados para o uso de TI, os micro e pequenos empresários
estarão em condições de responder
quais são suas necessidades e desejos, fluirão
naturalmente as demandas específicas e genéricas.
Nós, doutos especialistas, precisamos aprender
a desenvolver programas de baixo para cima, implementar
metodologias que possibilitem ouvir e interpretar os
rufos dos tambores das bases, estabelecendo a massa
crítica necessária à formulação
de políticas e programas que otimizem o uso
dos escassos recursos disponíveis e levem aos
indicadores desejados de monitoria e impacto.
O mais singelo dos micro empresários do setor
informal tem muito a ensinar sobre a tecnologia aplicada às
MPEs. Sempre que cabível conto nas minhas palestras
a estória do servente que ensinou o engenheiro
da obra:
“
Numa determinada obra mostrou-se necessário
a passagem de um cabo de fibra ótica através
de uma tubulação cheia de curvas. O engenheiro
responsável, na sua visão cartesiana,
apresentou ao mestre de obras a planta marcando os
pontos onde a laje de concreto teria que ser quebrada
para possibilitar a retificação da guia
a ser inserida na tubulação. O servente
que acompanhava a explicação, do alto
da sua simplicidade, falou: doutor, eu acho que tenho
uma solução mais simples que evita abrir
buraco na laje, basta amarrar um barbante fino no rabo
de um rato, ele entra por um lado da tubulação
e sai pelo outro. No barbante fino traspassada na tubulação
a gente amarra uma corda mais forte capaz de resistir à guia
de arame e passa novamente através da tubulação.”
A título de exercício, vamos supor iniciar
o programa com um curso de 20 horas, duas horas por
dia, duas semanas de duração, denominado “A
Tecnologia e sua Empresa”, patrocinado pelo SEBRAE,
ministrado aos milhares, priorizando os aglomerados
locais de MPE. O curso seria constituído de
transferência de conhecimento sobre tecnologia
aplicado à MPE, fechado com uma dinâmica
onde os participantes, a partir dos conhecimentos adquiridos,
debateriam e identificariam suas necessidades de software
e demais instrumentos de TI. Os resultados seriam compilados
e tabulados gerando a massa crítica necessária
ao desenvolvimento de um programa consistente. Tenho
certeza que nessas dinâmicas surgirão
dezenas de histórias como a do rato.
Algo
semelhante apresenta Adriano Slywotsky, diretor da
Mercer Management Consulting, em recente artigo
na HBR (Harvard Business Review), onde mostra o sucesso
que estão obtendo as empresas americanas que
estão colocando seus desenvolvedores trabalhando
junto aos clientes, detectando no contato direto as
suas necessidades e desenvolvendo soluções
em conjunto.
Recente pesquisa do SEBRAE/SP acerca do grau de informatização
das MPEs paulistas, realizada entre setembro de 2002
e fevereiro de 2003, abordando o universo de 1.163
MPEs formais, reforça a tese de necessidade
de um programa para difundir TI junto aos micro e pequenos
empresários e conscientizar como ela pode ajudar
no negócio, como base para fundamentar qualquer
programa de massificação do uso de TI
no setor. Apenas 47% desses empresários utilizam
computador, e 51% dos que utilizam possuem um computador.
Estamos falando de São Paulo, o que dizer das
demais empresas de outros estados que compõe
o universo de 4,1 milhões de MPEs formais? O
que iremos encontrar no universo de 9,5 milhões
de negócios informais? Qualquer política
que não siga este caminho atenderá uma
minoria, donos de lojas de shopping, empresários
mais esclarecidos da industria, comércio e serviço
e alguns arranjos produtivos locais mais estruturados.
O Brasil precisa de política abrangente de TI
voltada às MPEs, que chegue aos informais diretamente
nas empresas ou através dos telecentros: softwares
e Internet para todos.
Além da obtenção dessa massa
crítica inicial perguntando aos micro e pequenos
empresários, através de metodologia adequada,
o que eles desejam, alertamos para 10 outros pontos
que precisam ser estudados e considerados na formulação
do programa:
1. Priorizar o investimento no software livre
2. Definir subprograma específico para atender
os informais, aqueles que demorarão a possuir
um computador, disponibilizando software e Internet
nos telecentros públicos. A pesquisa do SEBRAE/SP
mostra que independente de possuir computador na empresa,
54% dos empresários acessam a Internet.
3. Envolver as universidades públicas, demais órgãos
governamentais afetos e a sociedade civil organizada.
4. Estabelecer política de premiação,
incentivo e financiamento à inovação
tecnológica voltada a MPE.
5. Integrar o programa com as centenas de projetos
de APL – arranjo produtivo local – em desenvolvimento
no país
6. Abrir rubrica específica no programa de qualificação
com recursos do FAT do Ministério do Trabalho,
para aprendizagem de cursos aplicativos básicos
em software livre e demais softwares nacionais. Priorizar,
também, o desenvolvimento de softwares educacionais,
principalmente os voltados para atender aos analfabetos
funcionais.
7. Criação da tarifa social de Internet
para MPEs formais e informais
8. Linhas específicas de microcrédito
para compra de computadores, softwares e qualificação
(precisamos financiar os cursos que o empresário
precisa fazer para usar os softwares)
9. Definir política de incentivo ao desenvolvimento
e comercialização de computadores baratos,
acessíveis à população,
principalmente aos MPEs informais.
10. Priorizar o desenvolvimento de software para palms
e telefones digitais. Quase tudo envolvido na operação
de uma MPE pode ser resolvido via a nova geração
desses equipamentos. A empresa na minha mão é algo
acessível e real.
Carlos
Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos
e CEO do Geranegocio
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Capital
Social, Capital Intelectual e a Internet |
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Pesquisas
desenvolvidas desde Pierre Bourdier (1966), James
Coleman e Robert Putnam, até as recentes pesquisas
promovidas pelo Banco Mundial, conduzida por Christian
Grootaert e outros, mostram que programas sociais,
desenvolvimento de arranjos produtivos locais, pólos
tecnológicos, cooperativas e associações,
conseguem maiores resultados no ambiente onde existe
maior capital social (CS) e capital intelectual (CI):
quanto maior o nível desses capitais na comunidade,
maior a chance de sucesso de programas e projetos.
Capital social é definido como o grau de interação social,
confiança, aderência a normas e coerência das ações
coletivas, de uma comunidade ou grupo social, atuando em rede ou associações,
na busca do bem comum. A intensidade do capital social está associada
ao nível de prioridade dada, pelos participantes, ao interesse coletivo
em detrimento dos interesses individuais contrariados. O capital social diz
respeito aos recursos existentes nas relações de um determinado
grupo social, tais como: confiança, cooperação, reciprocidade,
aceitação de normas e regras coletivas.
Capital intelectual coletivo pode ser entendido como ativo intangível,
existente no âmago da comunidade, fruto da interação dos
indivíduos, relativo a conhecimento, informação, experiência,
propriedade intelectual, disponíveis para gerar o bem comum.
Os dois capitais são ativos coletivos de propriedade dos grupos sociais,
fruto de ações coletivas, voláteis, intangíveis,
embora mensuráveis, acessíveis na medida que existam relação
e confiança entre as pessoas, com a característica de se reforçarem
mutuamente: capital intelectual cresce com o desenvolvimento do capital social
e vice-versa.
O desenvolvimento desses capitais é fruto do volume de interações: à medida
que cresce o número de interações bem sucedidas, gerando
o bem comum, cresce o nível de confiança, impulsionando o capital
social e conseqüentemente o capital intelectual.
Na ampliação, facilitação dessas interações é que
aparecem as redes digitais e mais especificamente a Internet, nas diversas
formas de comunidades virtuais. Num primeiro momento as comunidades virtuais
estavam restritas as ferramentas existentes na maioria dos sites, tais como:
listas de discussão, fórum de discussões, sala de bate-papo.
Recentemente tivemos a democratização das comunidades virtuais,
com o surgimento e disponibilização de ferramentas que possibilitam
qualquer pessoa, com pouco ou nenhum conhecimento de programação,
criar e gerir sua comunidade virtual.
As mais populares: wikis – programa que permite o usuário sem
nenhum conhecimento de programação criar e editar páginas
na web; blogs - páginas na web onde o usuário insere parágrafos
cronologicamente, como uma página de notícia ou jornal; e a mais
recente coqueluche da Internet o orkut - site de relacionamento onde a pessoa é convidada,
via e-mail, a se cadastrar, participar de comunidades, criar comunidades, possibilitando
ser encontrada por amigos e fazer novos amigos.
A despeito de essas ferramentas serem mais utilizadas entre os
jovens, focados nas suas áreas de interesses, começam a se popularizar nas comunidades
de favelas, cooperativas, associações, produtores, arranjos produtivos
locais, dentre outros.
O fortalecimento e ampliação do capital social e intelectual
de redes de micros e pequenas empresas, é mais uma aplicação
das comunidades virtuais disponibilizadas via internet. Tomemos o exemplo do
arranjo produtivo local (APL) de ovinocaprinocultura, envolvendo vários
municípios, onde temos dispersos, no espaço geográfico,
centenas de criadores, cooperativas e associações, curtumes,
fornecedores de insumos, frigoríficos, usinas de leite e órgãos
governamentais e não governamentais de qualificação e
assistência técnica. A comunicação, interação
e qualificação dos produtores e demais partícipes da cadeia,
dada a abrangência geográfica, exigirá permanentes deslocamentos
e disponibilidade de tempo, retirado da atividade fim.
Dotar esses criadores, nas suas propriedades, de computador ligado
a Internet – soluções
de ligação de Internet via satélite estão disponíveis
para qualquer localidade onde não exista a infra-estrutura de telecomunicações – possibilitará a
criação de uma extranet: acesso à página na Internet,
comunidade virtual, apenas de usuários autorizados via senha e login.
Na extranet os participantes da cadeia produtiva terão acesso a todos
os recursos estruturados na página: informações, cursos,
reuniões virtuais, fóruns, listas de discussão, blogs,
wikis,etc.
À
medida que os participantes se familiarizam com as ferramentas
e encontram respostas as suas necessidades na extranet, cresce
o número de interações. Exemplo: surge uma
doença no rebanho, o produtor consulta o especialista
via e-mail, coloca o problema na lista de discussão, recebe
resposta de outro produtor que passou por problema semelhante.
Conhece o produtor, portador da solução para o
seu problema, via webcam no MSN messenger: fecha-se um laço
de confiança. Os laços de confiança se multiplicam
através das colaborações virtuais mútuas,
intercaladas com encontros presenciais promovidos no APL. As
pessoas que se conheceram e colaboraram virtualmente reforçam
seus laços nos encontros presenciais. O resultando do
processo, é a ampliação permanente do capital
social e intelectual (conhecimento), individual e coletivo, da
cadeia produtiva.
Não conheço intranet de ovinocaprinocultura estruturada como
aqui proposto, mas existem na Internet dezenas de listas de discussão
associadas ao tema e comunidades como www.caprinet.com.br/portal.php.
Sites como o do projeto aprisco - www.aprisco.sebrae.com.br e
o www.capritec.com.br.
A internet é rica
em listas de discussão, sites, portais e vortais, dedicados aos APLs.
Carlos
Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos
e CEO do Geranegocio
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Inovações simples, idéias de
micros e pequenos empreendedores |
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A
feminista e ambientalista Wangari Maathai, vice-ministra
de Meio Ambiente do Quênia, ganhou o “Prêmio
Nobel da Paz 2004” pela criação “Movimento
Cinturão Verde”, que mobilizou milhares
de africanos, na sua maioria mulheres, numa cruzada
contra o desmatamento, plantando 30 milhões
de arvores na África.
A Petrobrás acaba de patentear e adotar no Rio
Grande do Norte, tecnologia que possibilita revestir
internamente os dutos, onde passa vapor a ser injetado
nos poços terrestres de extração
de petróleo, com esteiras feitas com palha de
carnaúba, que recebem a aplicação
de um produto especialmente desenvolvido para impermeabilizar
a palha, trançadas por 50 (cinqüenta) artesãs
do assentamento Palheiros III, do município
de Upanema - RN. Esta tecnologia substituirá o
revestimento atual de alumínio em 100 km de
dutos, trazendo a economia inicial para empresa de
3 milhões e 700 mil reais.
Carlos Alberto Zacarias, morador de Belford Roxo, baixada
fluminense (RJ), inventou um brinquedo de assoprar
bolinha de sabão a partir do boneco do pino
de plástico do jogo de boliche, onde acopla
uma argola que serve de suporte para um copinho plástico
descartável e um canudo. O brinquedo faz grande
sucesso com a criançada, custa R$3,00. Ele vende
cerca de 300 unidades por mês, garantindo uma
renda mensal de R$900,00.
O baiano Marçal Ribeiro Fonseca criou o AcaraSol:
fogão solar desenvolvido especificamente para
fritar acarajé, portátil, compacto, dobrável
em forma de maleta, possibilitando o fácil transporte
pela baiana do acarajé, de um ponto de venda
a outro.
O que têm em comum estas quatro histórias?
Todas são inovações não
associadas a grandes investimentos em pesquisas tecnológicas,
idéias simples levadas à prática,
transformadas em produtos, proporcionando o sustento,
a sobrevivência de pessoas simples. As duas primeiras
são descobertas – algo já existente,
visto de uma nova forma, dando uma nova aplicação
não adotada anteriormente; as duas últimas,
invenções – associação
de dois ou mais fatores para chegar a um terceiro que
tem parte do anterior, mas representando algo novo.
O que tem de inovador em plantar arvores? Nada. A inovação
está no processo, na forma como Wangari Maathai
mobilizou a população africana em torno
da idéia, da sua perseverança, do carisma
e da capacidade empreendedora. No final do processo,
30 milhões de arvores plantadas beneficiando
os ecos sistemas locais e todo o planeta. A simples
idéia de plantar árvores levada ao pódio
do prêmio Nobel.
As esteiras de palha de carnaúba, trançadas
por artesãs, num assentamento do Nordeste brasileiro,
competindo e tirando mercado do produto importado;
substituindo o revestimento de alumínio, fruto
de pesquisa tecnológica de uma multinacional.
Este exemplo mostra que existe espaço para as
tecnologias artesanais, que elas ainda são competitivas.
Quando incorporamos pequenas mudanças, introduzimos
componentes de alta tecnologia, no caso, o produto
químico, usado para impermeabilizar a palha.
As duas invenções, seguem o mesmo caminho,
idéias simples, frutos do trabalho inovador
de pessoas simples, exigiram pouco capital para se
transformar em produto, não nasceram em grandes
centros de pesquisa, no entanto, não menos relevantes.
As soluções aqui apresentadas servem
de exemplos, demonstram, aos micros e pequenos empreendedores,
que o processo de inovação é acessível
a todos e não prerrogativas exclusivas das grandes
empresas. A idéia de um pequeno empreendedor,
nascida numa garagem, pode tornar obsoleto o processo,
o produto, o software de uma grande empresa líder
de mercado.
O MPE precisa ficar atento ao concorrente do outro
lado da rua, na outra esquina e até mesmo, com
a globalização, ao que se encontra no
outro continente. Procurar sempre inovar no processo
de fabricação, na forma de comercialização,
na introdução de novas matérias-primas,
no aperfeiçoamento do designer e no produto.
Precisa se socializar, participar das instituições
e eventos da sua atividade, pesquisar na Internet,
acompanhar as inovações dos concorrentes.
O risco calculado inerente ao processo de inovação
faz parte do negócio, e é uma característica
encontrada no perfil dos empreendedores, donos de grandes
negócios, e que um dia já foram pequenos.
A simples modificação, na cor do produto,
no detalhe da embalagem, pode abrir o mercado de exportação
para um artesão. Inovar é preciso, quem
não inova fica obsoleto com o tempo, e hoje,
cada vez mais rápido, banido do mercado.
Carlos
Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos e
CEO do Geranegocio
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Transformando
programas e projetos em Tecnologia Social (TS) |
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Nos últimos
dez anos, envolvendo equipe de 28 (vinte oito) consultores,
comandei o desenvolvimento de mais de 20(vinte) projetos
com ênfase na tecnologia da informação,
voltados à geração de trabalho
e renda. No ano de 2000, quando ainda pouco se falava
em telecentros no Brasil, estávamos nós
implantando a “Ilha Virtual do Empreendedor” em
Natal e o PROINFOR em Fortaleza. Hoje, somam-se a
esses, projetos, com uso extensivo de tecnologia,
para qualificar via Internet, fornecer microcrédito,
prestar assistência on-line ao micro e pequeno
empreendedor, plataforma de e-leaning, implantados
no Norte, Nordeste, Rio e São Paulo. No entanto,
não é nosso objetivo descrever esses
projetos, o leitor desejando conhecer melhor alguns
em operação, basta acessar, neste portal,
a área de Programas e Projetos (localizada
do lado esquerdo na home).
Nos últimos anos, enquanto saltávamos de um projeto a outro, muitas
vezes desenvolvidos em paralelo, chegamos a duas constatações relevantes:
primeira, a falta de metodologia padrão para desenvolver os projetos levava
ao baixo aproveitamento das soluções adotadas nos projetos anteriores,
principalmente, quando ocorria troca de consultores de uma especialidade, a memória
ia embora com o consultor; segundo, alguns projetos poderiam ser replicados em
outras localidades com características sócio-econômicas similares,
bastando pequenos ajustes, se tivéssemos adotado modelo de manualização
dos processos, organização, software, etc.
A solução para esse problema, encontra-se no estudo do conceito
e modelos de Tecnologia Social. No ano de 2004 investimos na criação
do nosso modelo de formatação de Tecnologia Social (TS) e reescrevemos
alguns dos principais projetos, segundo essas novas diretrizes: primeiro emprego,
primeiro emprego social, microcrédito, novo negócio, CETAL – Centro
Tecnológico de aproveitamento do lixo, Ilha Virtual do Empreendedor e
Balcão Virtual do Empreendedor. Agora esses projetos, na forma de tecnologia
Social, estão acessíveis e passíveis de serem replicados
por qualquer interessado, governos, patrocinadores e intuições
do terceiro setor.
Segundo o modelo desenvolvido, um programa e/ou projeto pode ser considerado
tecnologia social (TS), quando replicável através de multiplicadores,
gerando independência tecnológica, decorrente da disponibilização
dos seguintes produtos:
1) Termo de referência - contendo a definição
clara do programa ou projeto, com: missão; conceituação;
objetivos; metas; público alvo; hierarquização
de prioridades; definição de parceiros internos e
externos; aderência do programa às estratégias,
objetivos e prioridades de planos de governo; orçamento
e fonte de recursos, outros tópicos inerentes à especificidade
do objeto.
2) Manual de operação - estabelecendo os procedimentos
e processos operacionais de funcionamento e divulgação.
3) Manual de organização - estabelecendo a
estrutura organizacional, necessidades de recursos humanos, descrição
de cargos e perfis dos profissionais mais adequados às necessidades
do programa ou projeto.
4) Manual de Qualificação - definindo a grade
de cursos e conteúdos programáticos para qualificação
dos profissionais que trabalharão no programa, principalmente
os de operação dos softwares e ferramentas de controle.
5) Software – definição, desenvolvimento
e fornecimento dos softwares e manuais, necessários à operação.
6) Hardware - especificação de máquinas,
equipamentos e sistemas de comunicação necessários à operacionalização
dos softwares e demais funcionalidades do projeto ou programa.
7) Manual de monitoria e controle - contendo os indicadores
de monitoria, impacto e procedimentos de controle que possibilitarão
avaliação do programa.
8) Manual de desenvolvimento do capital social - Capital
social associado a um programa ou projeto é definido como
o grau de interação social, confiança, aderência
a normas e coerência das ações coletivas, de
uma comunidade ou grupo social, atuando em rede ou associações,
na busca da implantação e êxito do referido
programa ou projeto. Pesquisas têm mostrado, inclusive algumas
desenvolvidas pelo Banco Mundial, quanto maior o nível do
Capital Social da comunidade, maior a chance de sucesso do programa
ou projeto. Portanto, na maioria dos projetos sociais faz-se necessário
o desenvolvimento do planejamento estratégico, tático
e operacional, para o fortalecimento do capital social, associado
ao programa ou projeto.
Carlos
Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos e CEO do Geranegocio
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Doutora
esse mundo tá furado! |
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Uma
amiga minha estava distribuindo cestas básicas,
na época da seca, no distrito de Saco do Belém,
município de Santa Quitéria, interior do
Ceará, no meio do nada, numa casinha de taipa,
quando toca o telefone celular. Alguém de Fortaleza
querendo informação do andamento da distribuição.
Do alto da sua sabedoria popular, o matuto, dono da casa,
observava atento aquele milagre tecnológico. Quando
minha amiga desligou o celular, o matuto se aproximou
acanhado, reflexivo, comentou: Doutora esse mundo tá furado!
Minha amiga disse, não entendi. - Como pode nesse
negocinho, sem fio, sem tá ligado a nada, neste
mundo de meu Deus, a senhora tá falando com uma
pessoa lá em Fortaleza. Aonde é que nós
vai parar?
Conto o episódio para mostrar que até o simples sertanejo, à sua
maneira, numa lógica própria, percebeu que o mundo tá furado.
Acho o slogan do sertanejo mais bonito que o da TIM: viver sem fronteiras. Realmente,
a internet e as demais tecnologias de informação e comunicação,
acabaram com o confinamento da informação, associado à proximidade
física. O homem de Saco de Belém, dispondo de TI, pode comprar
e vender em qualquer parte do mundo; falar, aprender e ensinar sem precisar sair
de casa.
Ao mesmo tempo em que esta constatação encanta, deixa apreensivo:
além do enfrentamento da pobreza, os excluídos ganharam um novo
e sério problema, que os tornarão ainda mais pobres e excluídos:
a exclusão digital. A maior perversidade da exclusão digital está na
competitividade. Os conectados, os que têm acesso às demais TIs,
são normalmente da classes A e B, melhor alimentados, freqüentando
melhores escolas, passaram a contar com essa nova vantagem, o controle da informação.
A desvantagem competitiva reflete na aprendizagem, no negócio, na disponibilidade
de tempo, na mobilidade global, etc.
Como estamos combatendo, sociedade e governos, a exclusão digital dessas
pessoas? Através da disponibilização de computadores nas
escolas públicas e instalação de telecentros públicos
nas comunidades. Será que isto basta? Veja que o foco está na máquina,
agora mesmo o governo anuncia o lançamento do Programa PC Conectado, venda
de milhares de computadores a preço e prestações módicas.
A minha experiência na condução de programas de qualificação
via internet nas escolas públicas e nas Ilhas virtuais do empreendedor,
instalados em alguns municípios, na sua maioria pequenos e pobres, vai
de encontro a lógica que vem sendo adotada. Nas escolas públicas
estamos lidando com mais de 1.000 computadores, e o que encontramos: máquinas
ultrapassadas, infectadas, desconfiguradas, ar condicionado quebrado, instalações
elétricas inadequadas, pessoal desqualificado. Posso afirmar que em média
num laboratório de uma escola com 10 computadores vamos, sempre, encontrar
no mínimo 2 ou 3 parados. Porque? O foco dos programas está na
disponibilização de máquina, muito pouco recurso é disponibilizado
para produção de conteúdo, formação de instrutores,
pagamento de instrutores e técnicos, manutenção, assistência
técnica: o computador está com vírus, espera de uma semana
para a passagem do técnico; quebrou o ar condicionado em decorrência
de problema na instalação elétrica, fecha o laboratório
e espera conseguir dinheiro para a escola fazer a licitação da
obra.
Se a realidade nas escolas dotadas de apoio central de unidades tecnológicas é essa,
o que podemos esperar dos telecentros públicos com nenhum ou muito pouco
suporte. Visite um telecentro público na sua cidade, se é que existe
um, e veja se não tenho razão: dificilmente você vai encontrar
alguém fazendo um curso via Internet, na maioria os usuários são
jovens em site de bate-papo e jogos, alguns computadores parados aguardando manutenção,
impressora quebrada quando existe ou faltando papel.
Não estou contra os telecentros, mais fico triste quando vejo editais
de chamamento para disponibilização de telecentros públicos
a instituições, focado no fornecimento de máquinas e instalação
de rede, sem um planejamento mais preciso de uso, previsão de recursos
para contratação de instrutores e/ou monitores, recursos para manutenção
e desenvolvimento de conteúdo local.
Precisamos aperfeiçoar a maneira que estamos tentando inserir os nossos
excluídos nesse mundo furado, como definido pelo nosso sertanejo de Saco
de Belém.
Carlos
Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos e CEO
do Geranegocio
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A
Agência Virtual como instrumento de suporte
ao
desenvolvimento dos Arranjos Produtivos Locais |
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A
Agência
Virtual de Atendimento ao Cidadão
(http://browser.geranegocio.com.br) é constituída
de uma unidade ergonomicamente desenvolvida,
contendo
computador, impressora, local para acomodação
do operador e cliente. Cada agência pode
dispor de até quatro computadores, sendo
um, sempre, para operação (assistência
on line ao empreendedor) e até três
para qualificar, via Internet, os micros
e pequenos
empresários partícipes do APL (arranjo
produtivo local). A partir do uso de mais de
quatro
computadores dispomos de outra solução
Geranegocio: Ilha Virtual do Empreendedor. Na
agência disponibilizamos, também,
via Internet, cursos on line para atender os
MPEs:
Internet voltada ao MPE, conhecendo o mundo do
pequeno negócio, empreendedorismo, plano
de negócio, ferramenta para desenvolvimento
do plano de negócio com correção
on line, montagem do negócio de artesanato.
Outros cursos estão sendo desenvolvidos
para ampliar as alternativas de itinerários
formativos - conjunto de cursos feitos
de forma
seqüencial visando dotar o MPE de competência
(conhecimentos, habilidades e atitudes) para
montar
determinado tipo de negócio.
A agência é operada por um técnico
qualificado a acessar as mais de 15.000 páginas
e 30 ferramentas específicas de apoio aos
MPEs, e as demais tecnologias disponíveis
no portal: chat, vídeo conferência,
ferramenta de busca, fórum, grupo de discussão,
etc.
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A
missão do operador é encontrar respostas
as demandas dos MPEs por informação
e conhecimentos, para montar, ampliar, resolver problemas
específicos do negócio. Instalada a
agência na comunidade, inicia-se a operação
de divulgação, com a distribuição
de cartilhas contendo mais de 400 serviços
possíveis de serem prestados aos cidadãos.
De posse da cartilha e identificando uma necessidade
do seu negócio, o cidadão procura a
agência, onde será atendido pelo operador.
Este buscará atendê-lo pesquisando no
conteúdo do Geranegocio e em suas ferramentas
de serviços respostas às suas necessidades.
Caso não consiga encontrá-las, recorre
à mesa de atendimento on-line instalada no
Rio de Janeiro. Se esta encontrar dificuldades para
responder, fará contato via e-mail com o quadro
de consultores do Geranegocio. O objetivo é
não deixar o cidadão sem resposta.
No
caso dos APLs além da assistência e qualificação
on line, A Agência Virtual tem outras serventias:
•
Montagem de comunidades Virtuais – espaço
virtual onde os partícipes de uma determinada
APL podem compartilhar experiência, com ou sem
assistência de especialistas, usando as ferramentas
do portal disponibilizadas na Agência Virtual:
chat, lista de discussão, vídeo conferência,
e-mail. A comunidade virtual poderá reduzir
as distâncias entre os diversos municípios
e MPEs que compõe determinado APL, proporcionado
a maior integração e comunicação:
troca de informação e conhecimentos,
compartilhar e solucionar problemas comuns, Interação
com outras comunidades virtuais de outras APLs da
mesma área de interesse.
•
Disponibilizar arquivos específicos de interesses
dos projetos. Conteúdo desenvolvido para atender
necessidades específicas das demandas de cada
APL: movelaria, software, ovinocaprinocultura, apicultura,
etc.
•
Disponibilizar vídeos de técnicas de
produção, plantio e manejo em complementação,
de forma permanente, ajuda memória, aos treinamentos
dados por especialistas: quando o empreendedor tem
alguma dúvida relativa a uma determinada técnica
aprendida pode recorrer à agência e assistir
a um vídeo, refrescando a memória.
•
Interface de comunicação entre os gestores
do APL (governo e instituições) e os
MPEs: disponibilização on line de cópia
de atas, convocações, conceitos do APL,
e-mail, comunicados, vídeos, palestras, evolução
de preços e outros dados de mercado, etc.
•
Shopping Virtual – ajudando a comercialização
da produção dos MPEs que compõe
o APL.
Carlos
Aquiles Siqueira - CEO do Geranegocio
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ADMICRO
Nova tecnologia social, a serviço do desenvolvimento
econômico Local. |
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O
Brasil é constituído de 5561 municípios,
cerca de 4064 (73%) possuem população
de até 20.000 habitantes, que contribuem de
forma insiginifcante para a formação
do PIB nacional. Dentre esses municípios poucos
possuem arrecadação própria
relevante, constituída do IPTU, ISS, outras
taxas e impostos municipais. A renda municipal provém
dos repasses constitucionais do FPM (Fundo de Participação
dos Municípios), ICMS, fundo da educação
e saúde, e emendas orçamentárias
dos parlamentares, inseridas no orçamento,
anual, da União. A renda local é formada
pelos servidores municipais e estaduais, repasses
de programas de combate à pobreza, salários
de aposentados pelo INSS e agricultura de subsistência.
Cerca de 30% dos idosos são responsáveis,
nesses municípios, por entre 30% a 50% da
renda familiar. Quanto ao nível de escolaridade,
43% dessa população de 34 milhões
de brasileiros, são analfabetos funcionais,
menos de quatro anos na escola.
A inclusão social dessas populações
depende do desenvolvimento econômico dos municípios,
que por sua vez encontram-se engessados, sujeitos as
novas regras do mundo globalizado e da inclusão
digital. O que esses municípios podem oferecer,
mão-de-obra desqualificada barata e recursos
naturais abundantes, perdeu relevância na montagem
da equação que define a atração
competitiva da maioria dos novos negócios.
Feita a constatação, o que fazer? Respostas
começam aparecer para o aproveitamento dessas
potencialidades, não atrativas aos grandes investidores,
no âmago das próprias comunidades locais,
fruto do capital social local, como o desenvolvimento
dos micro e pequenos arranjos produtivos locais: aglomerados
de micro e pequenas empresas de determinadas localidades
para aproveitar as sinergias coletivas geradas por
suas interações, proporcionando, escala
de produção, inovação,
acesso a novas tecnologias, crédito, qualificação,
assistência técnica,etc. Outras soluções
como as proporcionadas pela economia solidária
poderiam aqui ser apresentadas. No entanto vamos nos
concentrar numa nova proposta que estamos desenvolvendo,
onde colocamos a serviço do desenvolvimento
dessas comunidades os recursos proporcionados pelas
novas tecnologias de informação. Denominamos
o novo modelo “Agência de Desenvolvimento
Local de Micro e Pequenos Negócios” (ADMICRO),
de baixo custo, acessível a qualquer município.
O que é o ADMICRO?
Primeiro Passo - Implantação da Agência Virtual no município
A Agência Virtual é constituída de uma unidade ergonomicamente
desenvolvida, contendo computador conectado a Internet, impressora, local
para acomodação do operador e cliente. Cada agência
pode dispor de até quatro computadores, sendo um, sempre, para operação
(assistência on line ao empreendedor) e até três para
acesso a Internet e qualificar via Internet (mais de 20 cursos on-line)
dos micro e pequenos empreendedores. A partir do uso de mais de quatro
computadores dispomos de outra solução Geranegocio: Ilha
Virtual do Empreendedor.
A agência é operada por um técnico qualificado a acessar
as mais de 20.000 páginas e 30 ferramentas específicas de
apoio aos MPEs, e as demais tecnologias disponíveis no portal Geranegocio:
chat, vídeo conferência, ferramenta de busca, fórum,
grupo de discussão, etc.
Ao micro e pequeno empreendedor é entregue um catálogo contendo
mais de 400 serviços que ele poderá usufruir como usuário
da agência: cursos online, montar plano de negócio, montar
pedido de financiamento, respostas a questões que surjam na gestão
do negócio, etc.
Segundo Passo – Formação de Agente
de Desenvolvimento Econômico Local (ADE)
A Prefeitura ou patrocinador seleciona um servidor
ou agente comunitário que será treinado para atuar como
ADE Local. O ADE será capacitado para atuar nas comunidades identificando
oportunidade de negócio, micro e pequenos arranjos produtivos,
mobilização da comunidade, desenvolvimento de negócios
individuais, formais e informais, cooperativas e associações.
Terceiro
Passo – Operacionalização do ADMICRO
Instalada a Agência e qualificado o ADE local, dar-se á início
a operacionalização da Agência de Desenvolvimento
Local. O ADE identifica oportunidade de negócio e mobilização
da comunidade em torno da idéia. O ADE será apoiado pelo
operador da Agência Virtual no desenvolvimento do negócio
identificado. Caso o Operador da Agência Virtual não encontre
respostas às questões suscitadas pelo ADE, poderá recorrer
ao grupo de consultores que se encontram on-line interligados a Agência
Virtual.
Quarto
passo – Apoio permanente ao desenvolvimento e sustentação
dos negócios
A estrutura do ABMICRO atuando de forma integrada
através do ADE, Agência Virtual com o seu operador e equipe
de consultores on-line, fornecerá consultoria e aconselhamento
permanente, individualizado, aos micro e pequenos negócios desenvolvidos
nos municípios.
Carlos
Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos e CEO
do Geranegocio
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PORTA
ABERTA
Carlos Aquiles fala sobre o Projeto Porta Aberta
e mostra os resultados do Projeto. |
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No
Ger@analise deste mês o consultor e CEO do
Portal Geranegocio, Carlos Aquiles, explica como
surgiu e como funciona o Projeto Porta Aberta, desenvolvido
em várias regiões do Brasil. Leia a
entrevista abaixo:
Como
surgiu a idéia da criação
do Projeto Porta Aberta?
Como
consultor, há quatro anos, participei de seminário
do BID nos Estados Unidos onde um dos temas abordados
foi o uso da tecnologia no combate a pobreza. Retornei
ao Brasil com uma idéia fixa: usando a tecnologia
poderia atender mais clientes e chegar mais próximo
do beneficiário dos meus projetos. Daí nasceu
o Portal Geranegocio, de apoio aos micros e pequenos
negócios. A partir do portal estabelecemos
como missão desenvolver programas e projetos,
com uso extensivo de tecnologia, voltados a gerar
emprego e renda. O Porta Aberta é um deles,
hoje temos 15 programas e projetos, implantados,
que atendem desde grande cidades como o Rio e São
Paulo, até o pequeno município de Ouro
Branco, no interior de Alagoas, com 7000 habitantes.
Como
foi a trajetória desde a criação
até a implementação?
Percebemos
que deveria existir algo intermediário na
passagem da exclusão digital para a inclusão
digital. Se colocássemos um computador numa
pequena cidade operada por alguém treinado
e desenvolvêssemos uma cartilha com todos os
serviços que são disponibilizados via
Internet pelo nosso portal e outros, poderíamos
fazer chegar esses serviços às pessoas
que não sabem usar o computador. Tomemos o
seguinte exemplo: a pessoa quer fazer a declaração
anual de isento do imposto de Renda, não sabe
sentar no computador e preencher o formulário
na Internet, sequer tem computador, no entanto, pode
se dirigir ao operador do Porta Aberta, passar os
dados e ele faz a operação de preenchimento
do formulário de isento, via Internet. O operador
funciona como interface entre o excluído digital
e o computador. O que importa é que o excluído
obtém o serviço via Internet, num remoto
município, onde nunca teria acesso, e sem
saber usar o computador. No ano passado 8.000 pessoas
fizeram declaração de isento via as
Agências do Porta Aberta, no interior de Alagoas.
Muitos outros exemplos poderíamos citar. Esta
solução resolve a exclusão digital?
Não resolve, mas é um paliativo emergencial
para disponibilizar de forma massiva as vantagens
da Internet para os excluídos digitais. Na
agência temos outros computadores, um ou mais,
disponíveis para as pessoas pobres, excluídos
sociais e digitais, fazerem cursos via Internet.
Aí sim estamos praticando a inclusão
digital Este ano 700 pessoas, no interior de Alagoas,
nos pequenos municípios, participaram dos
nossos cursos via Internet.
A
partir da idéia, implantamos as primeiras
agências, procuramos municípios pequenos
de baixo IDH, a nossa tese era: se funcionar no pequeno
município, funcionará no grande. Hoje
temos entre implantadas e em implantação
50 agências, contando o Porta Aberta e projetos
em outros Estados. Não é muito, mais
garante que a idéia é boa e a irreversibilidade
do projeto.
Faltou
definir o que é Agência Virtual do
Porta Aberta
É um
ambiente
onde está disponível um computador
conectado, via Internet, ao portal Geranegocio. Ali
as pessoas podem, entre outras coisas, identificar
e avaliar seu potencial empreendedor, fazer o planejamento
estratégico do seu negócio, identificar
instituições onde pleitear microcrédito,
obter assistência técnica, mercadológica
e gerencial, bem como ter acesso a mais de 15.000
páginas permanentemente atualizadas sobre
empreendedorismo, pequenos negócios e artesanato.

Na
Agência, o pequeno empreendedor, o artesão
ou qualquer cidadão é atendido por
operadores treinados tendo a oportunidade de fazer,
gratuitamente, cursos de qualificação
pela Internet, contribuir com suas opiniões
em fóruns de discussões e participar
de grupos de parceria com outros pequenos empresários
e artesãos de sua área de interesse.
Para
os pequenos empreendedores a Agência funciona
como uma incubadora aberta, com a vantagem de poder
ser instalada em qualquer lugar, aumentando em muito
o universo de usuários beneficiados.
Na
Agência, estão disponíveis, via
Internet, entre outros, os seguintes:
- Passo
a passo de como montar um negócio;
- Como
legalizar um negócio;
- Diversos
tipos de assistência para o seu negócio;
- Solicitar
financiamentos;
- Matricular-se
em programas de qualificação;
- Fazer
cursos via Internet;
- Obter
informações e matricular-se em concursos
públicos;
- Inscrever-se
em Balcões de Emprego;
- Participar
de cooperativas e associações de
produção;
- Acessar,
consultar e ser beneficiado por diversos serviços
públicos e privados;
- Fazer
pesquisas de preços e compras;
- Desenvolver
Planos de Negócio;
- Participar
de Rodas de Negócio agendadas com os consultores
do Geranegocio;
- Pesquisas
escolares;
- Pesquisas
de conteúdo para a preparação
de provas;
- Criar
seu e-mail (e-mail popular);
- Consultar
mais de 400 perfis de negócios.
- Participar
de fóruns e vídeo conferências.
O
que o Sr. tem a dizer sobre a exclusão digital
como um todo e principalmente, a situação
da exclusão digital no Brasil?
Num
país onde a renda é tão concentrada,
onde existem 11 milhões de micro empresas
informais, disponibilizar locais públicos
para acesso ao computador e Internet, combatendo
a exclusão digital, é um dever de resgate
da cidadania e, de uma certa forma, contribuir para
melhoria da distribuição de renda: à medida
que o cidadão aprende a mexer no computador,
acessar a Internet, ele fica mais informado, melhor
qualificado, mais globalizado, agregando valor, capital
intelectual e buscar uma melhoria de renda.
No
entanto o foco que está sendo adotado no Brasil
está errado, está centrado na máquina: "forneço
o computador e a conexão e o resto a comunidade
se vira".
A
minha experiência na condução
de programas de qualificação via internet
nas escolas públicas e nas Ilhas virtuais
do empreendedor, instaladas em alguns municípios,
na sua maioria pequenos e pobres, vai de encontro
a lógica quem vem sendo adotada.
Nas
escolas públicas estamos lidando com mais
de 1.000 computadores, e o que encontramos: máquinas
ultrapassadas, infectadas, desconfiguradas, ar condicionado
quebrado, instalações elétricas
inadequadas, pessoal desqualificado. Posso afirmar
que em média num laboratório de uma
escola com 10 computadores vamos, sempre, encontrar
no mínimo 2 ou 3 parados. Porque? O foco dos
programas está na disponibilização
da máquina, muito pouco recurso é disponibilizado
para produção de conteúdo, formação
de instrutores, pagamento de instrutores e técnicos,
manutenção, assistência técnica:
o computador está com vírus, espera
de uma semana para a passagem do técnico;
quebrou o ar condicionado em decorrência de
problema na instalação elétrica,
fecha o laboratório e espera conseguir dinheiro
para a escola fazer a licitação da
obra...
Se
a realidade nas escolas dotadas de apoio central
de unidades tecnológicas é essa, o
que podemos esperar dos telecentros públicos
com nenhum ou muito pouco suporte? Visite um telecentro
público na sua cidade e veja se não
tenho razão: dificilmente você vai encontrar
alguém fazendo um curso via Internet, na maioria
os usuários são jovens em site de bate-papo
e jogos, alguns computadores parados aguardando manutenção,
impressora quebrada, quando existe ou faltando papel.
No dia 19 de abril deste ano o jornal Estado de São
Paulo traz ampla reportagem mostrando a situação
deplorável dos telecentros da cidade de São
Paulo, corroborando com esta minha assertiva.
Não
estou contra os telecentros, mais fico triste quando
vejo editais de chamamento para diponibilização
de telecentros públicos a instituições,
focado no fornecimento de máquinas e instalação
de rede, sem um planejamento mais preciso de uso,
previsão de recursos para contratação
de instrutores e/ou monitores, recursos para manutenção
e desenvolvimento de conteúdo local.
Precisamos
aperfeiçoar a maneira que estamos tentando
inserir os nossos excluídos no mundo digital
De
que forma o Sr. acha que o Projeto Porta Aberta
pode amenizar a situação da exclusão
digital no Brasil?
O
Porta Aberta está sendo desenvolvido de uma
forma diferente daquela que estamos criticando, o
foco não é a maquina, embora ela e
a conexão sejam indispensáveis; o nosso
foco é o homem. Colocamos um, dois, no máximo
quatro computadores numa agência, para concentrar
o investimento maior na formação do
operador da agência, disponibilizar cursos
on-line; uma cartilha contendo os serviços;
um serviço de monitoramento via Internet que
pode assumir a operação de qualquer
computador em qualquer parte do Brasil a partir do
nosso centro de operação em Petrópolis,
inclusive grande parte da manutenção à distância,
como configurar e eliminar vírus; equipe de
manutenção que troca o equipamento
danificado em no máximo 48 horas; atendimento
on-line que tira dúvidas e presta serviços.
O
resultado é outro, computador sempre funcionando,
agência sempre cheia, prestando serviços
e combatendo no dia-a-dia a exclusão digital
nesses municípios.
Quais
fatores ou índices demonstram a eficácia
do Projeto Porta Aberta?
A
eficiência podemos aferir no dia-a-dia, até porque
o sistema está dotado de back office que possibilita
saber o número de pessoas atendidas e o serviço
prestado a cada uma dessas pessoas. No ano de 2004
tivemos 45.000 atendimentos no Porta Aberta, com
apenas 15 agências.
Quanto à eficácia,
os resultados obtidos pelas pessoas por força
do projeto, o que o projeto mudou na vida das pessoas,
ainda não temos um estudo profundo, no entanto
são muitas as evidências, efeitos do
projeto, nessas comunidades:
O
exemplo citado, de 8.000 regularizações
de CPFs em 2004,
700
cursos on-line de internet, artesanato e empreendedorismo,
feitos por cidadãos dessas comunidades.
Cooperativas,
associações, rádios comunitárias,
implantadas com apoio do projeto.
Poderíamos
dissertar um rosário de cases pessoais resolvidos
via o Porta Aberta, no entanto precisamos fazer uma
grande pesquisa do impacto do Porta Aberta, a começar
procurando entender o que representou para essas
pessoas conhecer, ver um computador, que anteriormente
só conheciam pela televisão. Pretendemos
fazer essa pesquisa no segundo semestre de 2005.
Carlos
Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos e CEO
do Geranegocio
Comentários sobre este artigo para o e-mail: geranalise@geranegocio.com.br
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