Geranálise - Histórico 2004


Julho 2004
Estamos entrando na era dos negócios móveis: A empresa na nossa mão
Estamos entrando na era dos negócios móveis: A empresa na nossa mão

A revista americana Popular Science prevê que as tecnologias de PDA, celular, handhelds, leptop, estão se fundindo, teremos no futuro os super SmartPhones ( celular e palmtop num mesmo aparelho), que vem ao encontro da nossa afirmação no ger@nalise de junho: em poucos anos os micro e pequenos empresários terão a empresa na palma da mão; estamos entrando na era m-business, do negócio móvel. A partir dessa nova geração de SmartPhones, misto de celular, palmtop e laptop, o empresário poderá acessar virtualmente o banco de dados dos seus estoques, verificar a conta bancária e fazer movimentação financeira, comprar, vender, passar e-mail, fotografar, enviar fotografia, dar ordem de fabricação, pesquisar na Internet, enfim, gerir a empresa de qualquer lugar.
Alertávamos que a popularização dessas novas tecnologias está condicionada à superação de alguns obstáculos, não instransponíveis: equipamentos ainda são muito caros, limitações nos sistemas operacionais para rodar a maioria dos programas, limitação da capacidade de memória, e o desconforto de alimentar dados via digitação no teclado de celular e PDA. Como esses problemas estão sendo equacionados?

Preço – Há quatro anos um PDA simples (tipo palm zire) custava $1,5 mil dólares, hoje um palm modelo mais simples custa cerca de $150 dólares. Segundo Bob Metcalfe (lei de Metcalfe) o valor do produto é calculado de acordo com o número de usuários que o utilizam. Portanto, a entrada de uma nova tecnologia no mercado exige aperfeiçoamentos e produção em escala que reduza o preço do produto tornando-o acessível ao maior número de usuários, fazendo crescer o valor de mercado dessa tecnologia. Foi assim com a máquina xerox, com os primeiros celulares e será assim com os SmartPhones. A cada ano crescerão as camadas de micro e pequenos empresários de menor poder aquisitivo que terão acesso à esses equipamentos.

Capacidade de memória – Gordon Moore, um dos fundadores da Intel, preconizou em 1975 que a capacidade de um chip de computador dobraria a cada dois anos e até hoje a Lei de Moore tem prevalecido: a capacidade dos chips tem dobrado a cada 18 meses. Os discos rígidos armazenam atualmente cerca de 6 gigabits por polegada quadrada e os pesquisadores dizem que teoricamente poderão chegar a 150 gigabits por polegada quadrada, o que deixa uma longa trajetória para a Lei de Moore. A revista Popular Science de abril traz o protótipo de PDA (SmartPhone) para 2010 que terá capacidade de 250 gigabits de armazenamento interno, capacidade de memória muito maior que de qualquer leptop hoje conhecido. No entanto os atuais e futuros SmartPhones não dependem exclusivamente da capacidade de memória interna, a tendência atual é armazenarmos tudo que desejamos e precisamos num disco virtual disponível na Internet. A cada necessidade recorremos a esse disco e baixamos via o SmartPhone o que desejamos. Provedores como Terra e Yahoo já disponibilizam no Brasil esses discos aos correntistas.

Sistemas operacionais
– Da mesma forma que os computadores de mesa e os leptops possuem sistema operacional, como o windows, os PDA’s (palmtop) e SmartPhones, também são dotados de sistema operacional. Existem sistemas operacionais desenvolvidos especificamente para esses equipamentos, como: palm OS, Pocket PC, Brew. Cresce todo dia de forma exponencial o número de aplicativos disponíveis. O Palm OS, sistema operacional mais popular, encontra-se instalado em mais 29 milhões de equipamentos e conta com mais de 275.000 desenvolvedores em todo o mundo.

Alimentação de dados – O inconveniente de entrar dados no palm via escrita com caneta touch screen (haste que vem com o palm para digitar dados no teclado) é coisa do passado; keyboards (teclados) dobráveis que podem ser levados no bolso estão disponíveis para todas as linhas de PDA’s. Recentemente foi lançado pela IBTZ Technology Corp. o Virtual Laser Keyboard: acoplado ao palm ele emite um feixe de laser que projeta na superfície da mesa que a pessoa está trabalhando, um teclado virtual tamanho padrão, onde se pode digitar o texto como se estivesse usando o teclado de um computador tamanho normal. A tecnologia de entrada de dados via canal de voz tem avançado, tornando possível ditar o texto para o palm. Outra tecnologia disponível, é palmtop que desdobra numa tela do tamanho de um computador normal. Essas inovações tecnológicas permitem trabalhar num PDA como se estivéssemos usando um computador de mesa normal; desdobra-se o palmtop numa tela tamanho padrão de computador de mesa e projeta-se um keyboard (teclado) tamanho standard.


Carlos Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos e CEO do Geranegocio

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Agosto 2004
A inclusão digital e o artesão
A inclusão digital e o artesão

Artesãos são pessoas dotadas de habilidades manuais e conhecimentos que possibilitam transformar materiais em produtos. A principal característica do artesão é a criatividade: uma casca de coco, garrafa PET, peça de madeira ou sucata de ferro, quando submetidas ao olhar do artesão, viram obras de arte. Por que razão essas pessoas que têm essa capacidade interior de transformar em produtos utilitários materiais que para maioria não tem nenhum significado ou serventia, precisariam da inclusão digital? Por que estas pessoas precisariam estar conectadas ao mundo da Internet? Ao conectarmos esses artesãos e globalizá-los, não estaríamos contribuindo para descaracterização da sua cultura?

Para responder a essas questões precisamos compreender de forma mais realista o mundo em que vivemos. Não temos como evitar a globalização. A cultura comunitária que molda as formas, processos e usos, estabelecendo os hábitos e padrões sociais, não é mais definida pelas fronteiras geográficas do habitat do cidadão. Estamos na era das comunidades virtuais, novas fontes de valores que moldam o comportamento e a organização social. O cidadão participa das comunidades virtuais do seu interesse, onde não existem fronteiras. A interação possibilita a ação biunívoca de influenciar e ser influenciado. Proliferam as comunidades virtuais preservacionistas de culturas e línguas indígenas, movimentos culturais, musicais etc. Fica a questão a ser respondida pelos antropólogos culturais e outros estudiosos: a Internet a médio e longo prazo contribuirá mais para conservação ou destruição da cultura local?

A despeito desse lado polêmico da questão cultural, existe outro irrefutavelmente positivo, da contribuição da Internet para melhoria da renda, cidadania e qualidade de vida do artesão. Que contribuição é essa?

O artesão conectado encontrará na Internet milhões de sites brasileiros e estrangeiros com informações sobre o seu ofício, dicas e passo-a-passo para fabricação de produtos artesanais, novas técnicas artesanais, novos tipos de matérias-primas, poderá comprar materiais, acessórios e equipamentos, fazer cursos on line, identificar feiras e eventos, obter informações sobre crédito e microcrédito, acessar programas governamentais, construir páginas na Internet para divulgar seu trabalho, vender e exportar produtos.

A assistência de qualidade é o benefício mais relevante que se pode levar em termos de qualificação aos lugares mais remotos, como os pequenos municípios, onde fica extremamente difícil levar uma qualificação de maneira permanente.

A título de exemplo podemos citar o Curso On Line lançado no Portal Geranegocio. O curso, de artesanato, é especificamente voltado para ensinar o artesão a montar e gerir seu pequeno negócio de artesanato. Em dez lições, 20 horas em média, o artesão aprenderá: o que é artesanato, o que é criatividade e como ela se manifesta no artesão, conceitos de marketing e propaganda aplicados ao artesanato, preparação do produto para mercado, produção, pré-venda, venda, pós-venda, navegação na Internet focada no interesse do artesão, gestão do negócio de artesanato e dezenas de técnicas artesanais.

A importância do curso não se restringe à abrangência do conteúdo, mas principalmente às inovações que possibilitam ao artesão sem nenhum conhecimento de informática e baixa escolaridade, a grande maioria dos 9 milhões de artesãos brasileiros, a oportunidade da qualificação via Internet.

No desenvolvimento do curso estabelecemos o desafio, atendido pelos nossos analistas e programadores: simplificar as dificuldades de navegação ao nível de uma urna eletrônica. A pessoa que tiver a capacidade entrar em uma urna eletrônica e votar estará tecnologicamente mais do que capacitada a fazer o curso via Internet. Limitamos a navegação às operações mais simples, como clicar, avançar, voltar e arrastar. Os alunos também poderão contar com assistência on line em tempo real durante a aula, via Internet, para tirar dúvidas e auxiliar na navegação.

Desenvolvemos o conteúdo dentro dos princípios pedagógicos da “aprendizagem significativa” de Ausubel. Adequamos (ancoramos) os conhecimentos a serem adquiridos no processo de qualificação ao nível do ensino básico incompleto: basta o aluno saber ler e ser capaz de compreender textos de baixa complexidade para realizar o curso. Esperamos com esse curso contribuir de forma efetiva com a inclusão digital positiva do artesão.


Carlos Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos e CEO do Geranegocio
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Setembro 2004
No mundo globalizado, vantagens comparativas locais não garantem vantagens competitivas

No mundo globalizado, vantagens comparativas locais não garantem vantagens competitivas

David Ricardo, em 1817, foi o primeiro economista a abordar e formular a teoria das vantagens comparativas. Ele mostrou que o comércio internacional tornar-se-ia mais vantajoso, cresceria significativamente, se cada país produzisse bens onde comparativamente fosse mais eficiente que os outros.

Hoje as vantagens comparativas não bastam, o comércio internacional evoluiu muito nos últimos anos, multiplicam-se os acordos de livre comércio entre países e implantação de áreas de livre comércio (NAFTA, ALCA, MERCOSUL, etc), estamos na era do comércio global, do predomínio das vantagens competitivas. No mundo globalizado, o conflito entre nações concentra-se, cada vez mais, nas quebras de barreiras protecionistas, como os que agora estão envolvidos alguns dos nossos produtos de exportação: sapato e geladeira com a Argentina; camarão com os Estados Unidos.

Na busca das vantagens competitivas não bastam mão-de-obra barata, e disponibilidade de recursos naturais, a nova equação da competitividade exige: sistema de distribuição física de baixo custo, matéria-prima de alta qualidade, processo de produção altamente eficiente, estrutura logística superior, modelo de negócio e marketing em consonância com o comércio globalizado e as novas tecnologias de informação, produto de qualidade nitidamente superior e de elevado valor agregado.

A competitividade passa pela busca incessante da inovação: inovar é preciso. Inovar quer dizer transformar novas idéias em produtos, incorporar novas idéias aos produtos existentes, processo, marketing e modelos de negócios. Mesmo os artesãos nordestinos que desejam exportar bordados, produtos de sisal, cerâmica , etc, estão descobrindo isso. Apoiados por instituições como o SEBRAE e programas de inovação do MDIC estão se adequando ao gosto do comprador do mercado globalizado, sem descaracterizar a identidade cultural dos seus produtos. O valor agregado do nosso artesanato está na riqueza e diversidade da matéria prima, no trabalho a mão, na arte e tradição. No entanto, precisam incorporar novos designs, cores, padrões de qualidade e produção para atender as exigências e penetrar no rigoroso mercado de exportação.

A generalização do exemplo do artesanato, proporcionar maior competitividade ao nível do mercado global aos produtos, milhares de MPEs, passa pelo aproveitamento das sinergias, das inter-relações, das vantagens locais, da atuação dessas empresas de forma coletiva. A metodologia de desenvolvimento dos arranjos produtivos locais –APL - associada à incorporação da tecnologia da informação é o melhor caminho para atingir esse objetivo

Recente artigo da revista exame, mostra o exemplo prático da aplicação desta solução: os fabricantes de sapatos infantis do município de Birigui com preços que podem chegar ao triplo dos asiáticos, na busca de competitividade, se reuniram na forma de APL e criam uma rede digital de integração de fabricantes, fornecedores, universidades, bancos e outros. Através desse portal exclusivo, compartilham informações, vendem seus produtos, compram matéria prima e recebem consultoria online do Instituto Europeu de Designer de Milão, uma das mais importantes escolas de designer da Itália. Outros exemplos poderíamos citar como dos comerciantes da Rua Tereza em Petrópolis, Rio de Janeiro www.ruatereza.com.br.


Carlos Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos e CEO do Geranegocio
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Outubro 2004
A Inovação e a MPE

A Inovação e a MPE

Na semana passada o operador do ger@tendimento - serviço de atendimento online, gratuito, prestado pelo portal Geranegocio aos MPEs – me solicitou, por e-mail, responder questão para a qual não tinha encontrado resposta satisfatória no conteúdo do Geranegocio e nas pesquisas feitas nos demais sites correlatos na Internet. A questão formulada pelo visitante do ger@tendimento foi: qual a diferença entre descoberta, invenção, inovação e imitação? A resposta inspirou o tema do ger@nalise deste mês.

Descoberta diz respeito a algo existente que conseguimos ver de uma nova forma, damos uma nova aplicação como, por exemplo, a penicilina, fungo pertencente ao gênero Penicilium, descoberto por Alexander Fleming ao acaso, graças a uma série inacreditável de coincidências

Invenção diz respeito a algo novo, fruto da capacidade de criação do homem, que vem desde as ferramentas de pedra criadas a 2,6 milhões a.c, a roda criada a 3500 a.c, até as mais modernas tecnologias que fazem parte do nosso dia-a-dia, como o computador, celular,etc.

Inovação ocorre quando damos uma aplicação prática para uma descoberta ou invenção. No caso empresarial chamamos de inovação a implementação de uma descoberta ou invenção que produza resultados econômicos para a empresa.

Imitação nada tem de descoberta, invenção ou inovação, trata-se de copiar algo descoberto ou inventado por outro. Na atividade empresarial copiar sem agregar inovação representa imitar e estar sempre a reboque do concorrente, quando não, ficar sujeito a processo por quebra de patente ou direito autoral.

No processo de formulação da resposta à questão do nosso solicitante vieram a mente algumas questões relativas a inovação na MPE: a inovação pode fazer parte da pauta do micro e pequeno empresário? Pode-se aprender a inovar? É possível inovar com muito pouco investimento? Quais as conseqüências para MPE que abdica do tema inovação?

A inovação não é algo restrito ao produto, pode ser conseguida no processo produtivo, no marketing, na forma de comercialização, enfim, envolver qualquer etapa do processo produtivo e de comercialização. Nas médias e grandes empresas, na maioria dependentes do processo permanente de desenvolvimento e absorção de novas tecnologias, os programas de inovação são sistematizados, levados a todos os departamentos, os empregados são qualificados para esse fim, incentivados e premiados pelas contribuições inovadoras.

Na micro e pequena empresa, principalmente aquelas com nenhum ou poucos empregados, a coisa ocorre de forma diferente, muitas vezes não faz parte da pauta do empreendedor, não existe tempo disponível para pensar em inovar, afinal ele é o faz tudo; idealiza, produz, compra, negocia com o banco, comercializa. No entanto as leis da competitividade do mercado valem tanto para grande como para pequenas empresas: todos os dias surgem produtos e serviços mais competitivos, frutos de novas idéias ou do aperfeiçoamento dos existentes buscando novos nichos de mercado ou tomar o espaço do concorrente instalado. Como deve agir a MPE para não acordar com o produto na mão sem competitividade?

  • Aprender a navegar na Internet. Se você é um micro ou pequeno empresário que não tem hábito de navegar na Internet na busca de novas matérias primas e preços mais competitivos, novos processos produtivos, novos designers, identificar o que está na moda, o que o concorrente está lançando,etc, mude de comportamento hoje, pois você é portador de fortes sintomas de obsolescência. Esta máxima aplica-se do simples artesão de bijuteria aos processos artesanais que envolvam sofisticadas tecnologias.


  • Buscar qualificação, qualificação... qualificação deve ser a tônica. O processo permanente de reciclagem nos cursos do SEBRAE e outras instituições, nos oferecidos pela Internet, relativos ao seu produto, processo de produção e técnicas de gestão nunca serão demais ou suficientes.


  • Adote comportamento associativo. Procure participar de associações, cooperativas, grupos de trabalho, grupos de discussão na Internet, enfim, todo e qualquer movimento que agregue pessoas da sua área de interesse.


  • Procure fortalecer o seu negócio fazendo parte de um APL - arranjo produtivo local - cooperativas ou associações de compras, produção e comercialização. Tratando-se de novo negócio tente começar numa incubadora.


  • Pratique o ócio criativo. O negócio não está indo bem, o produto não está vendendo é hora de tirar umas férias. Pare alguns dias e pratique o ócio criativo. Repasse todo o ciclo do seu negócio assuma passo-a-passo os quatros papéis do processo criativo; pesquise (fase pesquisadora), recrie o negócio (fase artista); julgue as alternativas criadas e selecione os caminhos mais competitivos (fase juiz) e finalmente implemente o que foi decidido (fase guerreira). Feche o processo com show de inovação no seu negócio, retorne ao mercado mais forte e competitivo.


  • Invista, nas suas possibilidades, em Inovação: nova máquina, teste novos materiais, ensaie novas formas de comercialização, etc.


  • Coloque na sua pauta inovação e temas correlatos como competitividade, criatividade, benchmarking, etc. Participe de movimentos como ANPEI - Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (www.anpei.org.br) – visite sites como INFOTEC: www.infotec.org.br.



    Carlos Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos e CEO do Geranegocio
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    Novembro 2004
    A tecnologia da informação e a micro e pequena empresa

    Num encontro recente, Márcio Girão, presidente da SOFTEX (Sociedade para Promoção da Excelência do Software Brasileiro), me relatou que está participando de um grupo de trabalho que visa estabelecer a política pública para disseminar o uso da tecnologia da informação no âmbito das micro e pequenas empresas. A principal preocupação do meu amigo Márcio, por força da função que exerce, é a política de desenvolvimento de software para as MPEs. Lá pelas tantas ele me perguntou: na sua opinião o que deve ser feito para desenvolver a indústria de produção de software voltada às MPEs e como estimular, massificar o uso desses softwares?

    Respondi: primeiro precisamos desenvolver amplo programa de desmistificação do computador e informática, ampliando o conhecimento dos benefícios e vantagens competitivas advindas das novas tecnologias de software e Internet. Conscientizados, entendendo os benefícios despertados para o uso de TI, os micro e pequenos empresários estarão em condições de responder quais são suas necessidades e desejos, fluirão naturalmente as demandas específicas e genéricas. Nós, doutos especialistas, precisamos aprender a desenvolver programas de baixo para cima, implementar metodologias que possibilitem ouvir e interpretar os rufos dos tambores das bases, estabelecendo a massa crítica necessária à formulação de políticas e programas que otimizem o uso dos escassos recursos disponíveis e levem aos indicadores desejados de monitoria e impacto.

    O mais singelo dos micro empresários do setor informal tem muito a ensinar sobre a tecnologia aplicada às MPEs. Sempre que cabível conto nas minhas palestras a estória do servente que ensinou o engenheiro da obra:
    “ Numa determinada obra mostrou-se necessário a passagem de um cabo de fibra ótica através de uma tubulação cheia de curvas. O engenheiro responsável, na sua visão cartesiana, apresentou ao mestre de obras a planta marcando os pontos onde a laje de concreto teria que ser quebrada para possibilitar a retificação da guia a ser inserida na tubulação. O servente que acompanhava a explicação, do alto da sua simplicidade, falou: doutor, eu acho que tenho uma solução mais simples que evita abrir buraco na laje, basta amarrar um barbante fino no rabo de um rato, ele entra por um lado da tubulação e sai pelo outro. No barbante fino traspassada na tubulação a gente amarra uma corda mais forte capaz de resistir à guia de arame e passa novamente através da tubulação.”

    A título de exercício, vamos supor iniciar o programa com um curso de 20 horas, duas horas por dia, duas semanas de duração, denominado “A Tecnologia e sua Empresa”, patrocinado pelo SEBRAE, ministrado aos milhares, priorizando os aglomerados locais de MPE. O curso seria constituído de transferência de conhecimento sobre tecnologia aplicado à MPE, fechado com uma dinâmica onde os participantes, a partir dos conhecimentos adquiridos, debateriam e identificariam suas necessidades de software e demais instrumentos de TI. Os resultados seriam compilados e tabulados gerando a massa crítica necessária ao desenvolvimento de um programa consistente. Tenho certeza que nessas dinâmicas surgirão dezenas de histórias como a do rato.

    Algo semelhante apresenta Adriano Slywotsky, diretor da Mercer Management Consulting, em recente artigo na HBR (Harvard Business Review), onde mostra o sucesso que estão obtendo as empresas americanas que estão colocando seus desenvolvedores trabalhando junto aos clientes, detectando no contato direto as suas necessidades e desenvolvendo soluções em conjunto.

    Recente pesquisa do SEBRAE/SP acerca do grau de informatização das MPEs paulistas, realizada entre setembro de 2002 e fevereiro de 2003, abordando o universo de 1.163 MPEs formais, reforça a tese de necessidade de um programa para difundir TI junto aos micro e pequenos empresários e conscientizar como ela pode ajudar no negócio, como base para fundamentar qualquer programa de massificação do uso de TI no setor. Apenas 47% desses empresários utilizam computador, e 51% dos que utilizam possuem um computador. Estamos falando de São Paulo, o que dizer das demais empresas de outros estados que compõe o universo de 4,1 milhões de MPEs formais? O que iremos encontrar no universo de 9,5 milhões de negócios informais? Qualquer política que não siga este caminho atenderá uma minoria, donos de lojas de shopping, empresários mais esclarecidos da industria, comércio e serviço e alguns arranjos produtivos locais mais estruturados. O Brasil precisa de política abrangente de TI voltada às MPEs, que chegue aos informais diretamente nas empresas ou através dos telecentros: softwares e Internet para todos.

    Além da obtenção dessa massa crítica inicial perguntando aos micro e pequenos empresários, através de metodologia adequada, o que eles desejam, alertamos para 10 outros pontos que precisam ser estudados e considerados na formulação do programa:
    1. Priorizar o investimento no software livre
    2. Definir subprograma específico para atender os informais, aqueles que demorarão a possuir um computador, disponibilizando software e Internet nos telecentros públicos. A pesquisa do SEBRAE/SP mostra que independente de possuir computador na empresa, 54% dos empresários acessam a Internet.
    3. Envolver as universidades públicas, demais órgãos governamentais afetos e a sociedade civil organizada.
    4. Estabelecer política de premiação, incentivo e financiamento à inovação tecnológica voltada a MPE.
    5. Integrar o programa com as centenas de projetos de APL – arranjo produtivo local – em desenvolvimento no país
    6. Abrir rubrica específica no programa de qualificação com recursos do FAT do Ministério do Trabalho, para aprendizagem de cursos aplicativos básicos em software livre e demais softwares nacionais. Priorizar, também, o desenvolvimento de softwares educacionais, principalmente os voltados para atender aos analfabetos funcionais.
    7. Criação da tarifa social de Internet para MPEs formais e informais
    8. Linhas específicas de microcrédito para compra de computadores, softwares e qualificação (precisamos financiar os cursos que o empresário precisa fazer para usar os softwares)
    9. Definir política de incentivo ao desenvolvimento e comercialização de computadores baratos, acessíveis à população, principalmente aos MPEs informais.
    10. Priorizar o desenvolvimento de software para palms e telefones digitais. Quase tudo envolvido na operação de uma MPE pode ser resolvido via a nova geração desses equipamentos. A empresa na minha mão é algo acessível e real.

    Carlos Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos e CEO do Geranegocio
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    Dezembro 2004
    Capital Social, Capital Intelectual e a Internet

    Pesquisas desenvolvidas desde Pierre Bourdier (1966), James Coleman e Robert Putnam, até as recentes pesquisas promovidas pelo Banco Mundial, conduzida por Christian Grootaert e outros, mostram que programas sociais, desenvolvimento de arranjos produtivos locais, pólos tecnológicos, cooperativas e associações, conseguem maiores resultados no ambiente onde existe maior capital social (CS) e capital intelectual (CI): quanto maior o nível desses capitais na comunidade, maior a chance de sucesso de programas e projetos.

    Capital social é definido como o grau de interação social, confiança, aderência a normas e coerência das ações coletivas, de uma comunidade ou grupo social, atuando em rede ou associações, na busca do bem comum. A intensidade do capital social está associada ao nível de prioridade dada, pelos participantes, ao interesse coletivo em detrimento dos interesses individuais contrariados. O capital social diz respeito aos recursos existentes nas relações de um determinado grupo social, tais como: confiança, cooperação, reciprocidade, aceitação de normas e regras coletivas.
    Capital intelectual coletivo pode ser entendido como ativo intangível, existente no âmago da comunidade, fruto da interação dos indivíduos, relativo a conhecimento, informação, experiência, propriedade intelectual, disponíveis para gerar o bem comum.
    Os dois capitais são ativos coletivos de propriedade dos grupos sociais, fruto de ações coletivas, voláteis, intangíveis, embora mensuráveis, acessíveis na medida que existam relação e confiança entre as pessoas, com a característica de se reforçarem mutuamente: capital intelectual cresce com o desenvolvimento do capital social e vice-versa.

    O desenvolvimento desses capitais é fruto do volume de interações: à medida que cresce o número de interações bem sucedidas, gerando o bem comum, cresce o nível de confiança, impulsionando o capital social e conseqüentemente o capital intelectual.
    Na ampliação, facilitação dessas interações é que aparecem as redes digitais e mais especificamente a Internet, nas diversas formas de comunidades virtuais. Num primeiro momento as comunidades virtuais estavam restritas as ferramentas existentes na maioria dos sites, tais como: listas de discussão, fórum de discussões, sala de bate-papo. Recentemente tivemos a democratização das comunidades virtuais, com o surgimento e disponibilização de ferramentas que possibilitam qualquer pessoa, com pouco ou nenhum conhecimento de programação, criar e gerir sua comunidade virtual.

    As mais populares: wikis – programa que permite o usuário sem nenhum conhecimento de programação criar e editar páginas na web; blogs - páginas na web onde o usuário insere parágrafos cronologicamente, como uma página de notícia ou jornal; e a mais recente coqueluche da Internet o orkut - site de relacionamento onde a pessoa é convidada, via e-mail, a se cadastrar, participar de comunidades, criar comunidades, possibilitando ser encontrada por amigos e fazer novos amigos.

    A despeito de essas ferramentas serem mais utilizadas entre os jovens, focados nas suas áreas de interesses, começam a se popularizar nas comunidades de favelas, cooperativas, associações, produtores, arranjos produtivos locais, dentre outros.
    O fortalecimento e ampliação do capital social e intelectual de redes de micros e pequenas empresas, é mais uma aplicação das comunidades virtuais disponibilizadas via internet. Tomemos o exemplo do arranjo produtivo local (APL) de ovinocaprinocultura, envolvendo vários municípios, onde temos dispersos, no espaço geográfico, centenas de criadores, cooperativas e associações, curtumes, fornecedores de insumos, frigoríficos, usinas de leite e órgãos governamentais e não governamentais de qualificação e assistência técnica. A comunicação, interação e qualificação dos produtores e demais partícipes da cadeia, dada a abrangência geográfica, exigirá permanentes deslocamentos e disponibilidade de tempo, retirado da atividade fim.

    Dotar esses criadores, nas suas propriedades, de computador ligado a Internet – soluções de ligação de Internet via satélite estão disponíveis para qualquer localidade onde não exista a infra-estrutura de telecomunicações – possibilitará a criação de uma extranet: acesso à página na Internet, comunidade virtual, apenas de usuários autorizados via senha e login. Na extranet os participantes da cadeia produtiva terão acesso a todos os recursos estruturados na página: informações, cursos, reuniões virtuais, fóruns, listas de discussão, blogs, wikis,etc.

    À medida que os participantes se familiarizam com as ferramentas e encontram respostas as suas necessidades na extranet, cresce o número de interações. Exemplo: surge uma doença no rebanho, o produtor consulta o especialista via e-mail, coloca o problema na lista de discussão, recebe resposta de outro produtor que passou por problema semelhante. Conhece o produtor, portador da solução para o seu problema, via webcam no MSN messenger: fecha-se um laço de confiança. Os laços de confiança se multiplicam através das colaborações virtuais mútuas, intercaladas com encontros presenciais promovidos no APL. As pessoas que se conheceram e colaboraram virtualmente reforçam seus laços nos encontros presenciais. O resultando do processo, é a ampliação permanente do capital social e intelectual (conhecimento), individual e coletivo, da cadeia produtiva.

    Não conheço intranet de ovinocaprinocultura estruturada como aqui proposto, mas existem na Internet dezenas de listas de discussão associadas ao tema e comunidades como www.caprinet.com.br/portal.php. Sites como o do projeto aprisco - www.aprisco.sebrae.com.br e o www.capritec.com.br. A internet é rica em listas de discussão, sites, portais e vortais, dedicados aos APLs.

    Carlos Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos e CEO do Geranegocio
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    Janeiro 2005
    Inovações simples, idéias de micros e pequenos empreendedores

    A feminista e ambientalista Wangari Maathai, vice-ministra de Meio Ambiente do Quênia, ganhou o “Prêmio Nobel da Paz 2004” pela criação “Movimento Cinturão Verde”, que mobilizou milhares de africanos, na sua maioria mulheres, numa cruzada contra o desmatamento, plantando 30 milhões de arvores na África.
    A Petrobrás acaba de patentear e adotar no Rio Grande do Norte, tecnologia que possibilita revestir internamente os dutos, onde passa vapor a ser injetado nos poços terrestres de extração de petróleo, com esteiras feitas com palha de carnaúba, que recebem a aplicação de um produto especialmente desenvolvido para impermeabilizar a palha, trançadas por 50 (cinqüenta) artesãs do assentamento Palheiros III, do município de Upanema - RN. Esta tecnologia substituirá o revestimento atual de alumínio em 100 km de dutos, trazendo a economia inicial para empresa de 3 milhões e 700 mil reais.

    Carlos Alberto Zacarias, morador de Belford Roxo, baixada fluminense (RJ), inventou um brinquedo de assoprar bolinha de sabão a partir do boneco do pino de plástico do jogo de boliche, onde acopla uma argola que serve de suporte para um copinho plástico descartável e um canudo. O brinquedo faz grande sucesso com a criançada, custa R$3,00. Ele vende cerca de 300 unidades por mês, garantindo uma renda mensal de R$900,00.

    O baiano Marçal Ribeiro Fonseca criou o AcaraSol: fogão solar desenvolvido especificamente para fritar acarajé, portátil, compacto, dobrável em forma de maleta, possibilitando o fácil transporte pela baiana do acarajé, de um ponto de venda a outro.

    O que têm em comum estas quatro histórias?
    Todas são inovações não associadas a grandes investimentos em pesquisas tecnológicas, idéias simples levadas à prática, transformadas em produtos, proporcionando o sustento, a sobrevivência de pessoas simples. As duas primeiras são descobertas – algo já existente, visto de uma nova forma, dando uma nova aplicação não adotada anteriormente; as duas últimas, invenções – associação de dois ou mais fatores para chegar a um terceiro que tem parte do anterior, mas representando algo novo.

    O que tem de inovador em plantar arvores? Nada. A inovação está no processo, na forma como Wangari Maathai mobilizou a população africana em torno da idéia, da sua perseverança, do carisma e da capacidade empreendedora. No final do processo, 30 milhões de arvores plantadas beneficiando os ecos sistemas locais e todo o planeta. A simples idéia de plantar árvores levada ao pódio do prêmio Nobel.

    As esteiras de palha de carnaúba, trançadas por artesãs, num assentamento do Nordeste brasileiro, competindo e tirando mercado do produto importado; substituindo o revestimento de alumínio, fruto de pesquisa tecnológica de uma multinacional. Este exemplo mostra que existe espaço para as tecnologias artesanais, que elas ainda são competitivas. Quando incorporamos pequenas mudanças, introduzimos componentes de alta tecnologia, no caso, o produto químico, usado para impermeabilizar a palha.
    As duas invenções, seguem o mesmo caminho, idéias simples, frutos do trabalho inovador de pessoas simples, exigiram pouco capital para se transformar em produto, não nasceram em grandes centros de pesquisa, no entanto, não menos relevantes.

    As soluções aqui apresentadas servem de exemplos, demonstram, aos micros e pequenos empreendedores, que o processo de inovação é acessível a todos e não prerrogativas exclusivas das grandes empresas. A idéia de um pequeno empreendedor, nascida numa garagem, pode tornar obsoleto o processo, o produto, o software de uma grande empresa líder de mercado.

    O MPE precisa ficar atento ao concorrente do outro lado da rua, na outra esquina e até mesmo, com a globalização, ao que se encontra no outro continente. Procurar sempre inovar no processo de fabricação, na forma de comercialização, na introdução de novas matérias-primas, no aperfeiçoamento do designer e no produto.

    Precisa se socializar, participar das instituições e eventos da sua atividade, pesquisar na Internet, acompanhar as inovações dos concorrentes. O risco calculado inerente ao processo de inovação faz parte do negócio, e é uma característica encontrada no perfil dos empreendedores, donos de grandes negócios, e que um dia já foram pequenos.

    A simples modificação, na cor do produto, no detalhe da embalagem, pode abrir o mercado de exportação para um artesão. Inovar é preciso, quem não inova fica obsoleto com o tempo, e hoje, cada vez mais rápido, banido do mercado.


    Carlos Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos e CEO do Geranegocio
    Comentários sobre este artigo para o e-mail: geranalise@geranegocio.com.br



    Fevereiro 2005
    Transformando programas e projetos em Tecnologia Social (TS)

    Nos últimos dez anos, envolvendo equipe de 28 (vinte oito) consultores, comandei o desenvolvimento de mais de 20(vinte) projetos com ênfase na tecnologia da informação, voltados à geração de trabalho e renda. No ano de 2000, quando ainda pouco se falava em telecentros no Brasil, estávamos nós implantando a “Ilha Virtual do Empreendedor” em Natal e o PROINFOR em Fortaleza. Hoje, somam-se a esses, projetos, com uso extensivo de tecnologia, para qualificar via Internet, fornecer microcrédito, prestar assistência on-line ao micro e pequeno empreendedor, plataforma de e-leaning, implantados no Norte, Nordeste, Rio e São Paulo. No entanto, não é nosso objetivo descrever esses projetos, o leitor desejando conhecer melhor alguns em operação, basta acessar, neste portal, a área de Programas e Projetos (localizada do lado esquerdo na home).

    Nos últimos anos, enquanto saltávamos de um projeto a outro, muitas vezes desenvolvidos em paralelo, chegamos a duas constatações relevantes: primeira, a falta de metodologia padrão para desenvolver os projetos levava ao baixo aproveitamento das soluções adotadas nos projetos anteriores, principalmente, quando ocorria troca de consultores de uma especialidade, a memória ia embora com o consultor; segundo, alguns projetos poderiam ser replicados em outras localidades com características sócio-econômicas similares, bastando pequenos ajustes, se tivéssemos adotado modelo de manualização dos processos, organização, software, etc.

    A solução para esse problema, encontra-se no estudo do conceito e modelos de Tecnologia Social. No ano de 2004 investimos na criação do nosso modelo de formatação de Tecnologia Social (TS) e reescrevemos alguns dos principais projetos, segundo essas novas diretrizes: primeiro emprego, primeiro emprego social, microcrédito, novo negócio, CETAL – Centro Tecnológico de aproveitamento do lixo, Ilha Virtual do Empreendedor e Balcão Virtual do Empreendedor. Agora esses projetos, na forma de tecnologia Social, estão acessíveis e passíveis de serem replicados por qualquer interessado, governos, patrocinadores e intuições do terceiro setor.

    Segundo o modelo desenvolvido, um programa e/ou projeto pode ser considerado tecnologia social (TS), quando replicável através de multiplicadores, gerando independência tecnológica, decorrente da disponibilização dos seguintes produtos:
    1) Termo de referência - contendo a definição clara do programa ou projeto, com: missão; conceituação; objetivos; metas; público alvo; hierarquização de prioridades; definição de parceiros internos e externos; aderência do programa às estratégias, objetivos e prioridades de planos de governo; orçamento e fonte de recursos, outros tópicos inerentes à especificidade do objeto.
    2) Manual de operação - estabelecendo os procedimentos e processos operacionais de funcionamento e divulgação.
    3) Manual de organização - estabelecendo a estrutura organizacional, necessidades de recursos humanos, descrição de cargos e perfis dos profissionais mais adequados às necessidades do programa ou projeto.
    4) Manual de Qualificação - definindo a grade de cursos e conteúdos programáticos para qualificação dos profissionais que trabalharão no programa, principalmente os de operação dos softwares e ferramentas de controle.
    5) Software – definição, desenvolvimento e fornecimento dos softwares e manuais, necessários à operação.
    6) Hardware - especificação de máquinas, equipamentos e sistemas de comunicação necessários à operacionalização dos softwares e demais funcionalidades do projeto ou programa.
    7) Manual de monitoria e controle - contendo os indicadores de monitoria, impacto e procedimentos de controle que possibilitarão avaliação do programa.
    8) Manual de desenvolvimento do capital social - Capital social associado a um programa ou projeto é definido como o grau de interação social, confiança, aderência a normas e coerência das ações coletivas, de uma comunidade ou grupo social, atuando em rede ou associações, na busca da implantação e êxito do referido programa ou projeto. Pesquisas têm mostrado, inclusive algumas desenvolvidas pelo Banco Mundial, quanto maior o nível do Capital Social da comunidade, maior a chance de sucesso do programa ou projeto. Portanto, na maioria dos projetos sociais faz-se necessário o desenvolvimento do planejamento estratégico, tático e operacional, para o fortalecimento do capital social, associado ao programa ou projeto.


    Carlos Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos e CEO do Geranegocio
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    Março 2005
    Doutora esse mundo tá furado!

    Uma amiga minha estava distribuindo cestas básicas, na época da seca, no distrito de Saco do Belém, município de Santa Quitéria, interior do Ceará, no meio do nada, numa casinha de taipa, quando toca o telefone celular. Alguém de Fortaleza querendo informação do andamento da distribuição. Do alto da sua sabedoria popular, o matuto, dono da casa, observava atento aquele milagre tecnológico. Quando minha amiga desligou o celular, o matuto se aproximou acanhado, reflexivo, comentou: Doutora esse mundo tá furado! Minha amiga disse, não entendi. - Como pode nesse negocinho, sem fio, sem tá ligado a nada, neste mundo de meu Deus, a senhora tá falando com uma pessoa lá em Fortaleza. Aonde é que nós vai parar?

    Conto o episódio para mostrar que até o simples sertanejo, à sua maneira, numa lógica própria, percebeu que o mundo tá furado. Acho o slogan do sertanejo mais bonito que o da TIM: viver sem fronteiras. Realmente, a internet e as demais tecnologias de informação e comunicação, acabaram com o confinamento da informação, associado à proximidade física. O homem de Saco de Belém, dispondo de TI, pode comprar e vender em qualquer parte do mundo; falar, aprender e ensinar sem precisar sair de casa.

    Ao mesmo tempo em que esta constatação encanta, deixa apreensivo: além do enfrentamento da pobreza, os excluídos ganharam um novo e sério problema, que os tornarão ainda mais pobres e excluídos: a exclusão digital. A maior perversidade da exclusão digital está na competitividade. Os conectados, os que têm acesso às demais TIs, são normalmente da classes A e B, melhor alimentados, freqüentando melhores escolas, passaram a contar com essa nova vantagem, o controle da informação. A desvantagem competitiva reflete na aprendizagem, no negócio, na disponibilidade de tempo, na mobilidade global, etc.

    Como estamos combatendo, sociedade e governos, a exclusão digital dessas pessoas? Através da disponibilização de computadores nas escolas públicas e instalação de telecentros públicos nas comunidades. Será que isto basta? Veja que o foco está na máquina, agora mesmo o governo anuncia o lançamento do Programa PC Conectado, venda de milhares de computadores a preço e prestações módicas.

    A minha experiência na condução de programas de qualificação via internet nas escolas públicas e nas Ilhas virtuais do empreendedor, instalados em alguns municípios, na sua maioria pequenos e pobres, vai de encontro a lógica que vem sendo adotada. Nas escolas públicas estamos lidando com mais de 1.000 computadores, e o que encontramos: máquinas ultrapassadas, infectadas, desconfiguradas, ar condicionado quebrado, instalações elétricas inadequadas, pessoal desqualificado. Posso afirmar que em média num laboratório de uma escola com 10 computadores vamos, sempre, encontrar no mínimo 2 ou 3 parados. Porque? O foco dos programas está na disponibilização de máquina, muito pouco recurso é disponibilizado para produção de conteúdo, formação de instrutores, pagamento de instrutores e técnicos, manutenção, assistência técnica: o computador está com vírus, espera de uma semana para a passagem do técnico; quebrou o ar condicionado em decorrência de problema na instalação elétrica, fecha o laboratório e espera conseguir dinheiro para a escola fazer a licitação da obra.

    Se a realidade nas escolas dotadas de apoio central de unidades tecnológicas é essa, o que podemos esperar dos telecentros públicos com nenhum ou muito pouco suporte. Visite um telecentro público na sua cidade, se é que existe um, e veja se não tenho razão: dificilmente você vai encontrar alguém fazendo um curso via Internet, na maioria os usuários são jovens em site de bate-papo e jogos, alguns computadores parados aguardando manutenção, impressora quebrada quando existe ou faltando papel.

    Não estou contra os telecentros, mais fico triste quando vejo editais de chamamento para disponibilização de telecentros públicos a instituições, focado no fornecimento de máquinas e instalação de rede, sem um planejamento mais preciso de uso, previsão de recursos para contratação de instrutores e/ou monitores, recursos para manutenção e desenvolvimento de conteúdo local.

    Precisamos aperfeiçoar a maneira que estamos tentando inserir os nossos excluídos nesse mundo furado, como definido pelo nosso sertanejo de Saco de Belém.

    Carlos Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos e CEO do Geranegocio
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    Abril 2005
    A Agência Virtual como instrumento de suporte ao
    desenvolvimento dos Arranjos Produtivos Locais
      

    A Agência Virtual de Atendimento ao Cidadão (http://browser.geranegocio.com.br) é constituída de uma unidade ergonomicamente desenvolvida, contendo computador, impressora, local para acomodação do operador e cliente. Cada agência pode dispor de até quatro computadores, sendo um, sempre, para operação (assistência on line ao empreendedor) e até três para qualificar, via Internet, os micros e pequenos empresários partícipes do APL (arranjo produtivo local). A partir do uso de mais de quatro computadores dispomos de outra solução Geranegocio: Ilha Virtual do Empreendedor. Na agência disponibilizamos, também, via Internet, cursos on line para atender os MPEs: Internet voltada ao MPE, conhecendo o mundo do pequeno negócio, empreendedorismo, plano de negócio, ferramenta para desenvolvimento do plano de negócio com correção on line, montagem do negócio de artesanato. Outros cursos estão sendo desenvolvidos para ampliar as alternativas de itinerários formativos - conjunto de cursos feitos de forma seqüencial visando dotar o MPE de competência (conhecimentos, habilidades e atitudes) para montar determinado tipo de negócio.

    A agência é operada por um técnico qualificado a acessar as mais de 15.000 páginas e 30 ferramentas específicas de apoio aos MPEs, e as demais tecnologias disponíveis no portal: chat, vídeo conferência, ferramenta de busca, fórum, grupo de discussão, etc.

     

     
     

    A missão do operador é encontrar respostas as demandas dos MPEs por informação e conhecimentos, para montar, ampliar, resolver problemas específicos do negócio. Instalada a agência na comunidade, inicia-se a operação de divulgação, com a distribuição de cartilhas contendo mais de 400 serviços possíveis de serem prestados aos cidadãos. De posse da cartilha e identificando uma necessidade do seu negócio, o cidadão procura a agência, onde será atendido pelo operador. Este buscará atendê-lo pesquisando no conteúdo do Geranegocio e em suas ferramentas de serviços respostas às suas necessidades. Caso não consiga encontrá-las, recorre à mesa de atendimento on-line instalada no Rio de Janeiro. Se esta encontrar dificuldades para responder, fará contato via e-mail com o quadro de consultores do Geranegocio. O objetivo é não deixar o cidadão sem resposta.

    No caso dos APLs além da assistência e qualificação on line, A Agência Virtual tem outras serventias:

    • Montagem de comunidades Virtuais – espaço virtual onde os partícipes de uma determinada APL podem compartilhar experiência, com ou sem assistência de especialistas, usando as ferramentas do portal disponibilizadas na Agência Virtual: chat, lista de discussão, vídeo conferência, e-mail. A comunidade virtual poderá reduzir as distâncias entre os diversos municípios e MPEs que compõe determinado APL, proporcionado a maior integração e comunicação: troca de informação e conhecimentos, compartilhar e solucionar problemas comuns, Interação com outras comunidades virtuais de outras APLs da mesma área de interesse.

    • Disponibilizar arquivos específicos de interesses dos projetos. Conteúdo desenvolvido para atender necessidades específicas das demandas de cada APL: movelaria, software, ovinocaprinocultura, apicultura, etc.

    • Disponibilizar vídeos de técnicas de produção, plantio e manejo em complementação, de forma permanente, ajuda memória, aos treinamentos dados por especialistas: quando o empreendedor tem alguma dúvida relativa a uma determinada técnica aprendida pode recorrer à agência e assistir a um vídeo, refrescando a memória.

    • Interface de comunicação entre os gestores do APL (governo e instituições) e os MPEs: disponibilização on line de cópia de atas, convocações, conceitos do APL, e-mail, comunicados, vídeos, palestras, evolução de preços e outros dados de mercado, etc.

    • Shopping Virtual – ajudando a comercialização da produção dos MPEs que compõe o APL.

    Carlos Aquiles Siqueira - CEO do Geranegocio

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    Maio 2005
    ADMICRO
    Nova tecnologia social, a serviço do desenvolvimento econômico Local.

    O Brasil é constituído de 5561 municípios, cerca de 4064 (73%) possuem população de até 20.000 habitantes, que contribuem de forma insiginifcante para a formação do PIB nacional. Dentre esses municípios poucos possuem arrecadação própria relevante, constituída do IPTU, ISS, outras taxas e impostos municipais. A renda municipal provém dos repasses constitucionais do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), ICMS, fundo da educação e saúde, e emendas orçamentárias dos parlamentares, inseridas no orçamento, anual, da União. A renda local é formada pelos servidores municipais e estaduais, repasses de programas de combate à pobreza, salários de aposentados pelo INSS e agricultura de subsistência. Cerca de 30% dos idosos são responsáveis, nesses municípios, por entre 30% a 50% da renda familiar. Quanto ao nível de escolaridade, 43% dessa população de 34 milhões de brasileiros, são analfabetos funcionais, menos de quatro anos na escola.
    A inclusão social dessas populações depende do desenvolvimento econômico dos municípios, que por sua vez encontram-se engessados, sujeitos as novas regras do mundo globalizado e da inclusão digital. O que esses municípios podem oferecer, mão-de-obra desqualificada barata e recursos naturais abundantes, perdeu relevância na montagem da equação que define a atração competitiva da maioria dos novos negócios.
    Feita a constatação, o que fazer? Respostas começam aparecer para o aproveitamento dessas potencialidades, não atrativas aos grandes investidores, no âmago das próprias comunidades locais, fruto do capital social local, como o desenvolvimento dos micro e pequenos arranjos produtivos locais: aglomerados de micro e pequenas empresas de determinadas localidades para aproveitar as sinergias coletivas geradas por suas interações, proporcionando, escala de produção, inovação, acesso a novas tecnologias, crédito, qualificação, assistência técnica,etc. Outras soluções como as proporcionadas pela economia solidária poderiam aqui ser apresentadas. No entanto vamos nos concentrar numa nova proposta que estamos desenvolvendo, onde colocamos a serviço do desenvolvimento dessas comunidades os recursos proporcionados pelas novas tecnologias de informação. Denominamos o novo modelo “Agência de Desenvolvimento Local de Micro e Pequenos Negócios” (ADMICRO), de baixo custo, acessível a qualquer município. O que é o ADMICRO?

    Primeiro Passo - Implantação da Agência Virtual no município

    A Agência Virtual é constituída de uma unidade ergonomicamente desenvolvida, contendo computador conectado a Internet, impressora, local para acomodação do operador e cliente. Cada agência pode dispor de até quatro computadores, sendo um, sempre, para operação (assistência on line ao empreendedor) e até três para acesso a Internet e qualificar via Internet (mais de 20 cursos on-line) dos micro e pequenos empreendedores. A partir do uso de mais de quatro computadores dispomos de outra solução Geranegocio: Ilha Virtual do Empreendedor.
    A agência é operada por um técnico qualificado a acessar as mais de 20.000 páginas e 30 ferramentas específicas de apoio aos MPEs, e as demais tecnologias disponíveis no portal Geranegocio: chat, vídeo conferência, ferramenta de busca, fórum, grupo de discussão, etc.
    Ao micro e pequeno empreendedor é entregue um catálogo contendo mais de 400 serviços que ele poderá usufruir como usuário da agência: cursos online, montar plano de negócio, montar pedido de financiamento, respostas a questões que surjam na gestão do negócio, etc.

    Segundo Passo – Formação de Agente de Desenvolvimento Econômico Local (ADE)

    A Prefeitura ou patrocinador seleciona um servidor ou agente comunitário que será treinado para atuar como ADE Local. O ADE será capacitado para atuar nas comunidades identificando oportunidade de negócio, micro e pequenos arranjos produtivos, mobilização da comunidade, desenvolvimento de negócios individuais, formais e informais, cooperativas e associações.

    Terceiro Passo – Operacionalização do ADMICRO

    Instalada a Agência e qualificado o ADE local, dar-se á início a operacionalização da Agência de Desenvolvimento Local. O ADE identifica oportunidade de negócio e mobilização da comunidade em torno da idéia. O ADE será apoiado pelo operador da Agência Virtual no desenvolvimento do negócio identificado. Caso o Operador da Agência Virtual não encontre respostas às questões suscitadas pelo ADE, poderá recorrer ao grupo de consultores que se encontram on-line interligados a Agência Virtual.

    Quarto passo – Apoio permanente ao desenvolvimento e sustentação dos negócios

    A estrutura do ABMICRO atuando de forma integrada através do ADE, Agência Virtual com o seu operador e equipe de consultores on-line, fornecerá consultoria e aconselhamento permanente, individualizado, aos micro e pequenos negócios desenvolvidos nos municípios.


    Carlos Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos e CEO do Geranegocio
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    Junho 2005
    PORTA ABERTA
    Carlos Aquiles fala sobre o Projeto Porta Aberta
    e mostra os resultados do Projeto.
     

    No Ger@analise deste mês o consultor e CEO do Portal Geranegocio, Carlos Aquiles, explica como surgiu e como funciona o Projeto Porta Aberta, desenvolvido em várias regiões do Brasil. Leia a entrevista abaixo:

    Como surgiu a idéia da criação do Projeto Porta Aberta?

    Como consultor, há quatro anos, participei de seminário do BID nos Estados Unidos onde um dos temas abordados foi o uso da tecnologia no combate a pobreza. Retornei ao Brasil com uma idéia fixa: usando a tecnologia poderia atender mais clientes e chegar mais próximo do beneficiário dos meus projetos. Daí nasceu o Portal Geranegocio, de apoio aos micros e pequenos negócios. A partir do portal estabelecemos como missão desenvolver programas e projetos, com uso extensivo de tecnologia, voltados a gerar emprego e renda. O Porta Aberta é um deles, hoje temos 15 programas e projetos, implantados, que atendem desde grande cidades como o Rio e São Paulo, até o pequeno município de Ouro Branco, no interior de Alagoas, com 7000 habitantes.

    Como foi a trajetória desde a criação até a implementação?

    Percebemos que deveria existir algo intermediário na passagem da exclusão digital para a inclusão digital. Se colocássemos um computador numa pequena cidade operada por alguém treinado e desenvolvêssemos uma cartilha com todos os serviços que são disponibilizados via Internet pelo nosso portal e outros, poderíamos fazer chegar esses serviços às pessoas que não sabem usar o computador. Tomemos o seguinte exemplo: a pessoa quer fazer a declaração anual de isento do imposto de Renda, não sabe sentar no computador e preencher o formulário na Internet, sequer tem computador, no entanto, pode se dirigir ao operador do Porta Aberta, passar os dados e ele faz a operação de preenchimento do formulário de isento, via Internet. O operador funciona como interface entre o excluído digital e o computador. O que importa é que o excluído obtém o serviço via Internet, num remoto município, onde nunca teria acesso, e sem saber usar o computador. No ano passado 8.000 pessoas fizeram declaração de isento via as Agências do Porta Aberta, no interior de Alagoas. Muitos outros exemplos poderíamos citar. Esta solução resolve a exclusão digital? Não resolve, mas é um paliativo emergencial para disponibilizar de forma massiva as vantagens da Internet para os excluídos digitais. Na agência temos outros computadores, um ou mais, disponíveis para as pessoas pobres, excluídos sociais e digitais, fazerem cursos via Internet. Aí sim estamos praticando a inclusão digital Este ano 700 pessoas, no interior de Alagoas, nos pequenos municípios, participaram dos nossos cursos via Internet.

    A partir da idéia, implantamos as primeiras agências, procuramos municípios pequenos de baixo IDH, a nossa tese era: se funcionar no pequeno município, funcionará no grande. Hoje temos entre implantadas e em implantação 50 agências, contando o Porta Aberta e projetos em outros Estados. Não é muito, mais garante que a idéia é boa e a irreversibilidade do projeto.

    Faltou definir o que é Agência Virtual do Porta Aberta

    É um ambiente onde está disponível um computador conectado, via Internet, ao portal Geranegocio. Ali as pessoas podem, entre outras coisas, identificar e avaliar seu potencial empreendedor, fazer o planejamento estratégico do seu negócio, identificar instituições onde pleitear microcrédito, obter assistência técnica, mercadológica e gerencial, bem como ter acesso a mais de 15.000 páginas permanentemente atualizadas sobre empreendedorismo, pequenos negócios e artesanato.

    Na Agência, o pequeno empreendedor, o artesão ou qualquer cidadão é atendido por operadores treinados tendo a oportunidade de fazer, gratuitamente, cursos de qualificação pela Internet, contribuir com suas opiniões em fóruns de discussões e participar de grupos de parceria com outros pequenos empresários e artesãos de sua área de interesse.

    Para os pequenos empreendedores a Agência funciona como uma incubadora aberta, com a vantagem de poder ser instalada em qualquer lugar, aumentando em muito o universo de usuários beneficiados.

    Na Agência, estão disponíveis, via Internet, entre outros, os seguintes:

    • Passo a passo de como montar um negócio;
    • Como legalizar um negócio;
    • Diversos tipos de assistência para o seu negócio;
    • Solicitar financiamentos;
    • Matricular-se em programas de qualificação;
    • Fazer cursos via Internet;
    • Obter informações e matricular-se em concursos públicos;
    • Inscrever-se em Balcões de Emprego;
    • Participar de cooperativas e associações de produção;
    • Acessar, consultar e ser beneficiado por diversos serviços públicos e privados;
    • Fazer pesquisas de preços e compras;
    • Desenvolver Planos de Negócio;
    • Participar de Rodas de Negócio agendadas com os consultores do Geranegocio;
    • Pesquisas escolares;
    • Pesquisas de conteúdo para a preparação de provas;
    • Criar seu e-mail (e-mail popular);
    • Consultar mais de 400 perfis de negócios.

    • Participar de fóruns e vídeo conferências.

    O que o Sr. tem a dizer sobre a exclusão digital como um todo e principalmente, a situação da exclusão digital no Brasil?

    Num país onde a renda é tão concentrada, onde existem 11 milhões de micro empresas informais, disponibilizar locais públicos para acesso ao computador e Internet, combatendo a exclusão digital, é um dever de resgate da cidadania e, de uma certa forma, contribuir para melhoria da distribuição de renda: à medida que o cidadão aprende a mexer no computador, acessar a Internet, ele fica mais informado, melhor qualificado, mais globalizado, agregando valor, capital intelectual e buscar uma melhoria de renda.

    No entanto o foco que está sendo adotado no Brasil está errado, está centrado na máquina: "forneço o computador e a conexão e o resto a comunidade se vira".

    A minha experiência na condução de programas de qualificação via internet nas escolas públicas e nas Ilhas virtuais do empreendedor, instaladas em alguns municípios, na sua maioria pequenos e pobres, vai de encontro a lógica quem vem sendo adotada.

    Nas escolas públicas estamos lidando com mais de 1.000 computadores, e o que encontramos: máquinas ultrapassadas, infectadas, desconfiguradas, ar condicionado quebrado, instalações elétricas inadequadas, pessoal desqualificado. Posso afirmar que em média num laboratório de uma escola com 10 computadores vamos, sempre, encontrar no mínimo 2 ou 3 parados. Porque? O foco dos programas está na disponibilização da máquina, muito pouco recurso é disponibilizado para produção de conteúdo, formação de instrutores, pagamento de instrutores e técnicos, manutenção, assistência técnica: o computador está com vírus, espera de uma semana para a passagem do técnico; quebrou o ar condicionado em decorrência de problema na instalação elétrica, fecha o laboratório e espera conseguir dinheiro para a escola fazer a licitação da obra...

    Se a realidade nas escolas dotadas de apoio central de unidades tecnológicas é essa, o que podemos esperar dos telecentros públicos com nenhum ou muito pouco suporte? Visite um telecentro público na sua cidade e veja se não tenho razão: dificilmente você vai encontrar alguém fazendo um curso via Internet, na maioria os usuários são jovens em site de bate-papo e jogos, alguns computadores parados aguardando manutenção, impressora quebrada, quando existe ou faltando papel. No dia 19 de abril deste ano o jornal Estado de São Paulo traz ampla reportagem mostrando a situação deplorável dos telecentros da cidade de São Paulo, corroborando com esta minha assertiva.

    Não estou contra os telecentros, mais fico triste quando vejo editais de chamamento para diponibilização de telecentros públicos a instituições, focado no fornecimento de máquinas e instalação de rede, sem um planejamento mais preciso de uso, previsão de recursos para contratação de instrutores e/ou monitores, recursos para manutenção e desenvolvimento de conteúdo local.

    Precisamos aperfeiçoar a maneira que estamos tentando inserir os nossos excluídos no mundo digital

    De que forma o Sr. acha que o Projeto Porta Aberta pode amenizar a situação da exclusão digital no Brasil?

    O Porta Aberta está sendo desenvolvido de uma forma diferente daquela que estamos criticando, o foco não é a maquina, embora ela e a conexão sejam indispensáveis; o nosso foco é o homem. Colocamos um, dois, no máximo quatro computadores numa agência, para concentrar o investimento maior na formação do operador da agência, disponibilizar cursos on-line; uma cartilha contendo os serviços; um serviço de monitoramento via Internet que pode assumir a operação de qualquer computador em qualquer parte do Brasil a partir do nosso centro de operação em Petrópolis, inclusive grande parte da manutenção à distância, como configurar e eliminar vírus; equipe de manutenção que troca o equipamento danificado em no máximo 48 horas; atendimento on-line que tira dúvidas e presta serviços.

    O resultado é outro, computador sempre funcionando, agência sempre cheia, prestando serviços e combatendo no dia-a-dia a exclusão digital nesses municípios.

    Quais fatores ou índices demonstram a eficácia do Projeto Porta Aberta?

    A eficiência podemos aferir no dia-a-dia, até porque o sistema está dotado de back office que possibilita saber o número de pessoas atendidas e o serviço prestado a cada uma dessas pessoas. No ano de 2004 tivemos 45.000 atendimentos no Porta Aberta, com apenas 15 agências.

    Quanto à eficácia, os resultados obtidos pelas pessoas por força do projeto, o que o projeto mudou na vida das pessoas, ainda não temos um estudo profundo, no entanto são muitas as evidências, efeitos do projeto, nessas comunidades:

    O exemplo citado, de 8.000 regularizações de CPFs em 2004,

    700 cursos on-line de internet, artesanato e empreendedorismo, feitos por cidadãos dessas comunidades.

    Cooperativas, associações, rádios comunitárias, implantadas com apoio do projeto.

    Poderíamos dissertar um rosário de cases pessoais resolvidos via o Porta Aberta, no entanto precisamos fazer uma grande pesquisa do impacto do Porta Aberta, a começar procurando entender o que representou para essas pessoas conhecer, ver um computador, que anteriormente só conheciam pela televisão. Pretendemos fazer essa pesquisa no segundo semestre de 2005.


    Carlos Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos e CEO do Geranegocio
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