Ger@nálise do Mês



No mundo globalizado, vantagens comparativas locais não garantem vantagens competitivas


David Ricardo, em 1817, foi o primeiro economista a abordar e formular a teoria das vantagens comparativas. Ele mostrou que o comércio internacional tornar-se-ia mais vantajoso, cresceria significativamente, se cada país produzisse bens onde comparativamente fosse mais eficiente que os outros.

Hoje as vantagens comparativas não bastam, o comércio internacional evoluiu muito nos últimos anos, multiplicam-se os acordos de livre comércio entre países e implantação de áreas de livre comércio (NAFTA, ALCA, MERCOSUL, etc), estamos na era do comércio global, do predomínio das vantagens competitivas. No mundo globalizado, o conflito entre nações concentra-se, cada vez mais, nas quebras de barreiras protecionistas, como os que agora estão envolvidos alguns dos nossos produtos de exportação: sapato e geladeira com a Argentina; camarão com os Estados Unidos.

Na busca das vantagens competitivas não bastam mão-de-obra barata, e disponibilidade de recursos naturais, a nova equação da competitividade exige: sistema de distribuição física de baixo custo, matéria-prima de alta qualidade, processo de produção altamente eficiente, estrutura logística superior, modelo de negócio e marketing em consonância com o comércio globalizado e as novas tecnologias de informação, produto de qualidade nitidamente superior e de elevado valor agregado.

A competitividade passa pela busca incessante da inovação: inovar é preciso. Inovar quer dizer transformar novas idéias em produtos, incorporar novas idéias aos produtos existentes, processo, marketing e modelos de negócios. Mesmo os artesãos nordestinos que desejam exportar bordados, produtos de sisal, cerâmica , etc, estão descobrindo isso. Apoiados por instituições como o SEBRAE e programas de inovação do MDIC estão se adequando ao gosto do comprador do mercado globalizado, sem descaracterizar a identidade cultural dos seus produtos. O valor agregado do nosso artesanato está na riqueza e diversidade da matéria prima, no trabalho a mão, na arte e tradição. No entanto, precisam incorporar novos designs, cores, padrões de qualidade e produção para atender as exigências e penetrar no rigoroso mercado de exportação.

A generalização do exemplo do artesanato, proporcionar maior competitividade ao nível do mercado global aos produtos, milhares de MPEs, passa pelo aproveitamento das sinergias, das inter-relações, das vantagens locais, da atuação dessas empresas de forma coletiva. A metodologia de desenvolvimento dos arranjos produtivos locais –APL - associada à incorporação da tecnologia da informação é o melhor caminho para atingir esse objetivo

Recente artigo da revista exame, mostra o exemplo prático da aplicação desta solução: os fabricantes de sapatos infantis do município de Birigui com preços que podem chegar ao triplo dos asiáticos, na busca de competitividade, se reuniram na forma de APL e criam uma rede digital de integração de fabricantes, fornecedores, universidades, bancos e outros. Através desse portal exclusivo, compartilham informações, vendem seus produtos, compram matéria prima e recebem consultoria online do Instituto Europeu de Designer de Milão, uma das mais importantes escolas de designer da Itália. Outros exemplos poderíamos citar como dos comerciantes da Rua Tereza em Petrópolis, Rio de Janeiro www.ruatereza.com.br.

Carlos Aquiles Siqueira, M.Sc. Gerenciamento de Projetos e CEO do Geranegocio
Comentários sobre este artigo para o e-mail: geranalise@geranegocio.com.br



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