O que é?
Artesanato Você é Empreendedor? Plano de Negócio Plano Estratégico  

- Abrangência do conteúdo

  O GERANEGOCIO abordará Artesanato numa visão da Economia Social, voltada para geração de trabalho e renda, centrando o foco nas determinações de sua existência social como produção, distribuição e comercialização. A palavra ARTESANATO, à luz da definição da ciência sócio-cultural do folclore, por si só, estabelece a abrangência do conteúdo a ser abordado. Porém, nosso espectro de abordagem será mais amplo, transcendendo a definição de artesanato, contemplando todos os campos do folclore que possibilitem a geração de trabalho e renda: arte popular, literatura popular, danças e cantos, medicina popular, teatro popular e a citoplástica (arte comestível dos doceiros e quituteiras).


- A origem do Artesanato
  Os primeiros artesãos surgiram no período neolítico (6.000 a.c) quando o homem aprendeu a polir a pedra, a fabricar a cerâmica como utensílio para armazenar e cozinhar alimentos e descobriu a técnica de tecelagem das fibras animais e vegetais. No Brasil, o surgimento do artesanato ocorreu, também, neste período. Pesquisas permitiram identificar uma industria lítica e fabricação de cerâmica por etnias de tradição Agreste que viveram no sudeste do Piauí a 6000 a.c.
 
- Dica

Se você deseja saber mais sobre os registros rupestres e caracterização das etnias pré-históricas brasileiras não deixe de ler em "Grafismo Indígena", organizado por Lux Vidal, editora Studio Nobel, o capítulo escrito por Anne-Marie Pessis e Niéde Guidon.

  Num período mais recente, os índios foram os nossos primeiros artesãos. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, encontraram uma civilização que dominava a arte da pintura utilizando os pigmentos naturais, a cestaria e a cerâmica.

- Dica

Desejando aprofundar seu conhecimento sobre artesanato indígena veja "Dicionário do artesanato Indígena" de Berta G. Ribeiro, editora da Universidade de São Paulo.


- O que é folclore?

  O artesanato pode ser definido de uma forma simples como um campo do folclore. Mas o que é folclore? Folclore é uma palavra de origem inglesa que surgiu a partir de uma carta do arqueólogo William John Thoms, publicada no jornal londrino "O Ateneu", em 22 de agosto de 1846 (por isso 22 de agosto é o dia do folclore). A palavra folclore é constituída pelos termos: folk que significa povo e lore que significa saber - Saber do povo. Portanto o folclore pode ser definido como o campo da ciência sócio-cultural que estuda o que o povo diz, o que o povo faz e o que o povo sente. Desejando uma definição mais precisa, podemos recorrer à recomendação da UNESCO que considera o folclore como:

 
"O conjunto das criações provenientes de uma comunidade cultural, baseadas nas tradições expressas por um grupo ou por indivíduos que reconhecidamente correspondem às expectativas da comunidade, enquanto expressão de sua identidade cultural e social, e, além disso, as normas e os valores que se transmitem oralmente, por imitação ou por outras maneiras"


- Dica

No Brasil o dia do folclore é também, 22 de agosto, estabelecido pelo decreto 56.747 de 17 de agosto de 1965. Em muitos estados, por decreto estadual, ficou estabelecido agosto como mês do folclore.



- Quais são as áreas estudadas pelo folclore?
  Arte popular, artesanato, literatura popular, música folclórica, danças e folguedos, medicina popular, crendices, magia, tabus, supertições, religiões populares, teatro popular e a citoplástica (arte comestível dos doceiros e quituteiros).

   
    Curiosidade - Conheça:


Primeira carta do folclore brasileiro elaborada no 1° Congresso Brasileiro de Folclore, ocorrido no Rio de Janeiro em agosto de 1951.
A releitura da primeira carta, ocorrida em Salvador, de 12 a 16 de dezembro de 1995, durante VIII Congresso Brasileiro de Folclore.
 

- O que é artesanato?

  Sabendo agora o que é folclore e que artesanato é um dos campos de estudo do folclore podemos nos aprofundar mais na conceituação de artesanato. Primeiro, vamos esclarecer se artesanato é ou não arte popular? Não se preocupe em encontrar esta resposta porque os próprios estudiosos do folclore não chegaram a um consenso. Alguns autores fazem diferenciação, outros como o professor Iaperí Araújo, no livro Elementos da Arte Popular, afirma que não se pode preestabelecer conceitos e normas de que é artesanato ou arte popular. O professor esclarece:

 
"o artesanato tem muito de arte no conceito tradicional, não só pela continuidade do elemento que representou o molde inicial, mas também porque sem a mecanização standard e por se constituir uma seriação manual, cada novo objeto é recriado dependendo das condições do material a trabalhar e dos instrumentos de trabalho. Cada nova forma surge como recriação, recebendo o toque pessoal do artesão".


 Ao nosso ver a melhor forma de superar a polêmica é procurar diferenciar os diversos tipos de artesãos:


Artesão-artista: é aquele que por sua criatividade, originalidade, graciosidade e perícia produz peças que provocam profundo sentimento de admiração naqueles que as observam. Exemplos: talhadores, gravadores, escultores, pintor ingênuo (arte naif) etc.
Artesão-artesão: é aquele que trabalha em série, muitas vezes com ajuda de ferramentas e mecanismos rudimentares, produzindo dezenas de peças, centrado mais no aspecto utilitário das peças que produz que em despertar no observador o sentimento de beleza. Cerâmica ornamentada produzida manualmente com ou sem torno de pé.
Artesão semi-industrial: é aquele que trabalhando a partir de moldes ou e de outros processos semi-industriais reproduz dezenas de peças iguais. Ex: peças utilitárias de cerâmica produzidas de forma semi-industrial (tigelas, jarros, potes etc).
 
 
Numa visão mais atual que abranja produção tradicional e a urbana, o artesanato pode ser definido como a execução de trabalho manual, com ou sem ajuda de ferramentas e mecanismos caseiros, que as pessoas dão às matérias brutas, sobras e lixo do consumo industrial, visando produzir peças utilitárias, artísticas e recreativas, com ou sem fim comercial.

  O artesanato pode ser classificado:

Quanto à predominação da matéria prima usada - couro, vidro, metais, argila, gesso, madeira, tecido etc.
Quanto à origem - indígena, rural e urbano.

Quanto à fonte de matéria prima - material natural, matéria prima industrial, sobras e lixo industrial.

Quanto à utilidade - implemento, utensílio, adorno, decorativo, religioso, recreativo, lúdico, terapêutico, comestível, artístico, pedagógico.

Quanto à forma - figurativo e não figurativo.

     
Quanto ao destino econômico - comercialização e não comercialização.
 



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